A beleza dos 40

Hoje minha irmã, minha eterna companheira, celebra seu aniversário, completa 40 anos, e em homenagem a esta data importante decidi republicar um texto antigo, de 2010, que gosto bastante.

A vida começa aos 40

Um velho chavão. Quem está no vigor da juventude, longe dos 40, pensa que é uma grande bobagem. Muitos dos que estão nesse limiar proferem essa afirmação sem convicção. Já se sentem os efeitos da gravidade e dos radicais livres: rugas, flacidez e manchas. Essas malvadas não existiam, eis a oxidação dizem os especialistas. Um novo nome para um antigo fenômeno: o envelhecimento.

A idade parece uma doença contagiosa da qual ninguém quer falar. Se a idade chega, que não se vejam os seus efeitos. No nosso mundo, a exigência é ser jovem. Eternamente jovem, se possível. A beleza está do lado da juventude. Beleza significa ter uma pele lisinha, um corpo sarado, uma barriga tanquinho.

A indústria da beleza promete deter os efeitos do tempo: cremes antirugas, anticelulite, peelings, liftings, silicones, lipoaspiração. Existem ainda alternativas para os que querem soluções rápidas e radicais: cirurgias plásticas. Tudo para manter a aparência jovem.

O problema surge, pois não se engana o RG. Quando se está na casa dos 40, já ocorreu o inevitável e agora? o que fazer? A batalha travada é por não parecer, ter 40 com cara (e corpo) de 20, se possível.

Trata-se de um luta para se ajustar a um padrão estético, mas há uma dimensão que não é física. Aos 40, alguma coisa parece não se ajustar. O nosso espírito está jovem. A gente se sente jovem, a despeito dos cabelos brancos insistindo em aparecer…

Como assim? Parece uma brincadeira de mau gosto. Agora que os medos e bobeiras de adolescente já ficaram para trás, que a gente sabe e pode fazer o que deseja, que o salário está bom. Justamente quando há boas conquistas para se desfrutar: independência financeira e maturidade. Bem, não sempre, mas vamos caminhando para isso. O mundo nos coloca que já somos senhoras e senhores, tiazinhas e tiozinhos… e que o movimento não é mais ladeira acima. Atônitos, percebemos que para o mundo já passamos do ponto, “já não temos mais idade”. Não temos idade para vestir mini-saia, para namorar, para começar de novo, enfim a lista de nãos é enorme. O duro é que muita gente se convence disso, entra em pânico ou em depressão.

Ouvimos os nãos na infância e na juventude, o não porque se é mulher, o não porque há responsabilidades. Os anos se passam e a gente passa por eles procurando responder às expectativas do mundo. Ser bela, inteligente e profissional, ter um bom emprego, um namorado, casar, ser mãe, ter belos filhos.

Aos 40 pode ser o momento da virada, da liberdade, da liberação dessas obrigações. Aos 40, a gente já não precisa mais correr atrás da aceitação. Já sabemos que quem gosta da gente, vai continuar gostando.

As amarras dão espaço a um novo o imperativo: de viver melhor.

O tempo passa, é verdade, mas a gente não precisa sofrer com isso. A gente pode aproveitar o tempo que nos resta. Trata-se de escolher é como vai se viver os próximos 40 anos. Com mais prazer, mais alegria, mais paixão, mais amor, mais saúde?
Menos a vontade dos outros, menos sofrimento, menos angústia?

Menos dever, mais querer?

O primeiro dia dos nossos próximos anos começa hoje! E a nossa escolha pode ser agora!

clau e vero

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Arquivado em Memória, Papo de áquia

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