O adulto e sua criança

Não é segredo para ninguém que a gente chega ao mundo como um bichinho indefeso, frágil e dependente, precisando do auxílio de alguém para tudo, se vestir,  assoar o nariz e se não tiver alguém para lhe fornecer alimento, morre. Contudo não guardamos esse registro.

O tempo passa e a gente perde a memória de nossa primeira infância, inclusive, porque até o cérebro estava em formação, a malha de conexões começava a ser formar.

Ver uma criança em seus primeiros anos é assistir os primórdios, o que fomos um dia, permite-nos perceber como coisas tão básicas com a dimensão do tempo -com suas noções como “antes” e “depois” estão ausentes- os pequeninos vivem no agora, então choram, quando a mãe some, pois sentem como se ela nunca mais fosse voltar, ou então, abrem o berreiro se não lhes dermos a mamadeira quando ela está quente, só sentem o “não ganhei a minha mamadeira”.  Nós, adultos, não temos ciência que o bebê nem morder sabe.

Da mesma forma, contemplar a sua surpresa com os pássaros ou com o vento, o susto ao subir um elevador, leva-nos a perceber que tudo é novo para os pequeninos, tão novo que, no começo, parece uma grande nebulosa para seu olhar.

A primeira infância dá-nos a possibilidade de ver a natureza agindo num ritmo vertiginoso. A natureza sempre atua, mas assim que estacionamos na altura, passamos a nos acostumar com nossas potencialidades, só depois vamos nos surpreender com as rugas, cabelos brancos e otras cositas más. Acostumamo-nos tão rápido com a  nossa habilidade para fazer contas, com a memória e tantas outras, que nos parece que nascemos com elas. E foi um longo processo, de gatinhar para andar, comer sozinho, falar então, nem se diga. Aprender a linguagem, sem dúvida, é um dos grandes desafios para o cérebro e, sem ela, não há possibilidade de nos tornarmos humanos.

Há muito por fazer para cada novo serzinho se tornar humano, pois chegamos totalmente incompletos. Assistir a transformação se processando a partir do que os estímulos vão provocando permite a compreensão de que nada chega pronto, havendo muitas possibilidades, o futuro pode revelar um físico, um escritor ou um exímio jogador de basquete, mas os talentos que o adulto mostrar, estão diretamente ligados aos estímulos que a criança encontrou e ao mundo que a recebeu. Daí a importância da sociedade olhar para todos os pequeninos.

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Arquivado em Cidadania, Ideias, Papo de áquia

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