No Olimpo, na casa ou no trabalho, imagens da mulher que não é santa nem é p…

Há pessoas que acreditam que os deuses de nosso mundo saíram de férias, para alguns são as figuras do show business do momento. Por isso me valho dos antigos para falar de um tema tão caro como as imagens e imaginários do masculino e do feminino.

O mundo dos olimpianos, regido por Zeus, acompanhado por sua consorte, Hera, e por uma corte  ilustre, como a personificação do amor, Afrodite, o deus da guerra, Ares, entre outros, nos é conhecido, no entanto, pouco sabemos do mundo anterior a esta ordem. A terra em suas profundidades registra o culto à grande mãe, senhora das plantas e dos animais, portadora de fertilidade e do crescimento da natureza. Quando Zeus se instala no Olimpo, a grande mãe cede lugar às disposições do pai, mas ela ainda conserva espaço no panteão. O poder do feminino cede lugar ao masculino, marcando uma passagem de um vínculo indiscriminado e inconsciente com a natureza ao reino da palavra, ao logos, ao plano da consciência, à lei e à norma. Posteriormente, a própria multiplicidade do panteão helênico será destronada pelo deus único, onipotente, onisciente e onipresente, e agora a mulher perde o cetro e o trono de vez. Sem divindade, será responsabilizada por ter trazido a tentação aos homens, figuração do pecado ou da ignorância no melhor dos casos.

Após o advento do Cristianismo, a única imagem feminina permitida será a mãe do filho de Deus, senhora imaculada, pura, abnegada, obediente, entre outros atributos que a tornam digna de culto, mas a distanciam da humanidade das mulheres. Beleza, charme, primos da sedução, associados aos prazeres da carne, lugar do pecado e da corrosão do espírito estão banidos.

O panteão grego no qual os deuses amam e odeiam, tecem alianças e tramam vinganças responde a uma compreensão do humano sujeito a múltimas forças que desconhece, repleto de ambiguidades que ama e odeia. Ambiguidades que se perdem na idealização do mundo judaico-cristão e que a duras penas buscamos entender no século XX com o discurso da psicanálise. Idealização que nos distancia de uma visão “real” de nós mesmos e compreensiva de nossos pares no mundo.

Recupero esta ideia, pois as mulheres, hoje, estão em luta pelo poder e esta luta passa pela compreensão do imaginário. No século XX, em um século de tantas conquistas, a mulher conquista as ruas, o mundo do trabalho, a sua sexualidade, contudo persiste a crítica de que ela ainda quer ser feliz no amor e no casamento e para isso recorre a estratégias para agradar o homem e ainda pensa em comidas gostosas e se dedica a afazeres “do lar”. Uh!

 Certamente, precisamos de mais mulheres no Congresso, precisamos de igualdade, de respeito nas relações. Nenhum tipo de roupa pode ser justificativa ou atenuante para um estupro. Contudo, considero que a questão não para aí, não adianta mulheres no poder com um funcionamento masculino desqualificando outras mulheres. A própria mulher precisa conhecer e reconhecer a multiplicidade do feminino, sem buscar estabelecer a visão “certa” do feminino. Uma visão feminina não se arrola a verdades, nem busca ser a maior, compõe e não compete, alimenta e gosta do alimento, e, sem dúvida, é  tolerante e inclusiva, porque entende a vida como processo.1 a 1 a a a a mar sao carlos13 homem feminista

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