Arquivo da categoria: Poesia

Um pedido a Iemanjá

Senhora da vida,

Imensidão transparente e azuliemanja boa

Salgada e doce

Fonte, ventre

Caminho, refúgio

Morada de mistérios

Sereia e rainha

Guardiã dos segredos submersos

Eterno balancear que treme a terra e serpenteia o ar

Senhora,

Derrube as muralhas da intolerância

Destrua os diques da incompreensão

Lave os corações

Acalmai as mentes

Quebrai toda rigidez

Mostre-nos o fluxo

Ensinai o ritmo

A navegar

A balancear, sem marejar

Inspirai a dança e a criação

Dissolva o medo

Mãe nutridora,

Renove a esperança

Prepare-nos para o novo

Engendre a beleza e a alegria e ligue-nos no amor.

*

A Sabedoria do mar

Trata-se do ritmo básico e natural que as mulheres devem compreender… E vivenciar. Captar esse ritmo reduz o medo, pois prevemos o futuro, e os maremotos e marés vazantes que ele reserva.  (…)

Entendimento dos ritmos da criatividade, da parição de filhos psíquicos e filhos humanos também, os ritmos da solidão,  da brincadeira, do descanso, da sexualidade e da caça. (…)

(Clarissa Pinkola Estés. Mulheres que correm com lobos.)

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Arquivado em Histórias e mitos, Inspiradores, Poesia

Poesias e cantadas na orla de Ipanema

Há tempos venho acompanhando o debate sobre as diferentes formas de violência contra as mulheres. Um tema que precisa ser debatido, pois se durante milênios foi entendido como natural, hoje até um olhar pode ser entendido como ofensivo em nosso mundo que anda sensível e intolerante.

O blog feminista Think Olga fez uma enquete online sobre cantadas, quase  8 mil mulheres responderam, 87% disseram “não achar legal receber cantadas”.  A enquete levou à criação da campanha Chega de Fiu Fiu, contra o assédio sexual em lugares públicos e o blog tornou-se um porto de denúncias não só de cantadas mas de diversas formas de assédio sexual.

Faço parte da porcentagem que recebeu cantadas, “Bom dia”, “Princesa”, buzinadas enfim , detestei muitas, evitava passar na frente de construções e até hoje presto atenção às roupas que visto, para evitar olhares desagradáveis. Agora, devo confessar que houve algumas cantadas que me fizeram rir e outras, certamente, fizeram bem para o meu ego em dias um tanto nublados.

A jovem Helô Pinheiro

Em meio a essas reflexões, hoje, os telejornais nos lembraram dos 20 anos da morte do mestre Tom Jobim. Ouvindo fragmentos de suas músicas me assaltou o pensamento que se esta sensibilidade feminina estivesse presente nos anos 1960, o clássico Garota de Ipanema não existiria.

Assíduos frequentadores do bar Veloso na orla de Ipanema, Tom e Vinicius sentavam-se numa mesa da calçada a jogar conversa fora e a olhar o movimento “cheio de graça”, entre umas e outras, ali nasceram clássicos da música brasileira contemporânea.

Em dias ensolarados, a jovem Helô Pinheiro uma moça de “corpo dourado do sol de Ipanema” passava “num doce balanço a caminho do mar”. Sabe-se que ela  não se incomodou com a cantada e menos com a música que se tornou um sucesso internacional,  recebendo versões em centenas de idiomas e a promoveu a eterna garota de Ipanema.

Temo que hoje, os poetas seriam mal vistos e talvez até denunciados por assédio a uma jovem de 17 anos e a música brasileira perderia muito de sua graça, beleza e amor.

… Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

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Arquivado em Memória, Papo de áquia, Poesia

Daquilo que eu vi

Centro da Via Láctea desde o Observatório Mamalluca, no Chile. Fotografia de Miguel Carvajal

Neste dias me peguei fazendo uma retrospectiva de minha jornada por esta escola da vida, nestes meus 46 anos posso dizer que vi algumas quantas coisas.

Vi o sol despontar por trás das montanhas para iluminar nossa estrada.

Vi o entardecer no mar e as estrelas iniciando sua jornada pela noite.

Vi a dor, a angústia e o assombro.

Vi a guerra no interior de uma nação que levou um bando, que se acreditava superior, a buscar exterminar o outro.

Vi a guerra no interior do homem,  aquela que o faz estar em permanente beligerância contra os demais.

Refugiado afegão brinca com bolhas de sabão

Vi o grande poder criativo da humanidade, da transformação do alimento pelo fogo, das mães que contra tudo e todos seguem em frente, ao gênio criativo de Leonardo da Vinci ou do nosso Aleijadinho.

Vi o mistério.

Vi crianças rebeldes de 20, 30, 40 e 60 anos.

Vi egos inflados, vi o orgulho dilacerar famílias, vi a arrogância arruinar vidas.

Vi o amor e a solidariedade.

Vi flores abrindo e sementes brotando. Ainda lembro do meu 1º brotinho de feijão.

Vi girafas, éguas e passarinhas alimentando suas criaturas.

Vi tanta gente se transformar e dar um salto, rumar para enfrentar de peito aberto o desconhecido. 

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Arquivado em Papo de áquia, Poesia

O mar de Yemanjá

Odoya!

Yemanjá, caprichosa senhora desde a aurora dos tempos, encanta.

Mari Ama, Tétis, Anfitrite e  Afrodite, há milênios seus filhos navegantes adornam suas águas, pedem-lhe amor e proteção e reverentemente as saúdam.

Jandira, Janaina, mãe menina, deusa de muitos nomes e facetas, altiva, indecifrável e imprevisível.

Incansável professora, ensina a navegar pelo oceano  do desconhecido, a enfrentar turbulentas  marés, a atravessar tsunamis, a superar calmarias e a apaziguar emoções.

Temida e adorada, sempre mãe e acolhedora.

 

O mar de Yemanjá

 Eterna imensidão, farta criação, origem de mil mundos.

Beleza e movimento.

Ritmo eterno, sublime dança.

Suave espuma, brinca.

Imprevisível, turbulento e intempestivo.

Onda.

Vai e vem, renova.

Imensidão regeneradora. Indecifrável magia.

Leva dores, lava mágoas, cura.

Sempre balanço. Acalma. grecia mar azul

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Arquivado em Papo de áquia, Poesia