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A meu pai

Neste domingo de Páscoa, meu pai, Don Alfredo, partiu rumo ás estrelas. Sei que há familiares e amigos queridos que nao puderam estar conosco, por isso compartilho a seguir as palavras lidas em sua homenagem.

Tíos, tías, primos, primas, amigos, amigas,

Antes que nada quisiéramos agradecer a todos los que nos están acompañando, de manera presente o a la distancia, ya que los que no pudieron estar, SI están en nuestros corazones.

Agradecer todo el apoyo brindado, tanto por la familia, los amigos y por los jefes, colegas y amigos laborales, míos y de mi hermana Claudia.

Ahora comenzaré con una pequeña despedida a papá.

Pai: En este día en que estamos todos aquí reunidos para recordarte, tenemos tantos sentimientos encontrados!!!  Te recordamos como un padre y marido siempre atento y preocupado, amigo de sus amigos, hermano incondicional.  Una persona cariñosa, de mirada dulce, y con un humor particular.

Nació en Corinto, un valle a la costa de Talca, hijo de don Miguel y de la Sra. Julia. Le gustaba volver a su tierra, en el camino iba recordando tiempos de su niñez junto a sus hermanos y que por las noches el miraba las estrellas, el volcán descabezado…. A  él le encantaban las estrellas…

De aquellos años  le debe haber quedado el gusto por el vino, la fruta y por la naturaleza. Partió de Talca sin muchos recursos, pero con mucha determinación,  a estudiar en Santiago junto a tres amigos. Eran los cuatro huasos talquinos… En la Universidad sacó su título y tal vez, lo más importante, conoció el amor de su vida, una joven buenamoza chillaneja, Patricia, la que vendría a ser su esposa y madre de sus hijas.

Luego de 17 años en Brasil donde se hizo fan de caipirinhas y de las playas templadas del Atlántico, regresó a Chile y a Chillán, ciudad que le gustaba mucho.

Estamos tristes con su partida, pero creemos que mayor es la alegría que sentimos por haber compartido tantos momentos a su lado, como marido, hermano, y  padre que nos decía “minha filinha” o “las niñitas”. Además de ser suegro, primo, vovo, padrino, compadre y siempre amigo.

Papa nació un 8 de diciembre, sentimos que llegó con la Virgen y ahora partió con los ángeles, en un domingo de Pascua.

En este momento agradecemos a Dios y a la divina Providencia por haberlo tenido con nosotros…   Agradecemos su fuerza, su integridad, su amistad y sobre todo su amor.

 Agradecemos todo lo que aprendimos de él y pedimos por su espíritu para que esté en un buen  lugar,  junto a las estrellas, sus ángeles guardianes, la Virgen y a todos los seres divinos.

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As tabuadas da vida

Sabe aqueles dias que viram semanas (quando não se transformam em meses), em que a vida mais parece escola em fim de semestre, cheia de exames e, a cada dia, uma matéria diferente? E a gente no sufoco precisa mostrar a matéria que aprendeu. Se aos 10 anos sofremos com as tabuadas, depois com geometria ou genética, na faculdade com os desafios como erguer um prédio ou operar um paciente. Na vida, a prova dos nove é o teste da consciência, da verdade e da justiça.

Da consciência em todos os nossos sentimentos e ações.

Da responsabilidade por nossas ações e pensamentos.

Da prática que cobra a verdade do nosso discurso.

O problema é que muitas vezes andamos no automático repetindo velhas ideias que já se descolaram da experiência ou então vamos agindo como um autômato, aquela máquina sem consciência.

As provas estão aí, pois vivemos numa escola que testa as nossas escolhas. E cada um tem as suas. Bem vindo!

 

Firmeza no pensamento

Para seguir no caminho

Embora que não aprenda muito

Aprenda sempre um bocadinho.

(Mestre Irineu)

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Contracorrente

30 de novembro. Nós, mulheres chilenas, entregamos a São Paulo um livro com nossas memórias. Nesta terra de imigrantes, é uma das tantas memórias que aqui se cruzam, agora fica o registro. Um registro feito pela ótica e fruto de um trabalho de mulheres.

Na contracorrente da celebração das conquistas das mulheres, neste evento percebi que as coisas “de mulheres” ainda surpreendem os muitos homens, desperta-lhes sentimentos e atitudes arcaicas que não combinam com as práticas de respeito pela diversidade pregadas no séc. XXI.

Em um projeto de mais de 4 anos muita água passou sob a ponte e muita gente revelou o material que é feito. Histórias não faltam.

Ainda lembro quando em 2006 levamos nosso flier anunciando as primeiras oficinas (feito em parceria entre uma das facilitadoras e sua filha) e o dono da copiadora (nem gráfica era) não gostou do logo e “melhorou” o nosso material. Colocou a imagem de uma mãe loirinha beijando um bebezinho. Afinal o papel da mulher é ser mãe, deve ter pensado.

Depois mulheres em oficinas todas as semanas, o que fazem? Mulheres aprendendo computação, para quê? Mulheres fechando um livro? Mulheres fazendo um lançamento? Muitos foram companheiros e solidários, no entanto, despertou em alguns, principalmente nos que se sentiam “autoridades”, a vontade de ditar regras, de tomar conta, seja do livro, seja do lançamento, enfim das mulheres.

Confesso que fiquei surpresa (e indignada) por ter que brigar desde o tom com que certos homens se dirigiam às mulheres até o destino dos livros, passando pelo financiamento que após fechado com nosso “patrocinador” mudou a forma sem nos consultar e fomos obrigadas (eu particularmente que assinei o termo de compromisso) a assinar um termo draconiano, sob a chantagem de se cancelar o lançamento. O livro foi um evento excepcional e por isso não tenho mais que cruzar com essas pessoas, porque não fazem parte do meu cotidiano.

No Chile, Michele Bachelet mostrou a capacidade das mulheres ao ocupar o principal cargo do país até março deste ano, em 2011 Dilma assumirá a presidência da República no Brasil. São conquistas, mas o cotidiano nos mostra que a atenção deve ser constante, pois a luta contra o arcaísmo e pelo devido respeito continua.

E para quem quiser saber sobre o projeto, sugiro esta matéria no bol neste link:

http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2010/11/30/livro-sobre-o-resgate-da-autoestima-das-mulheres-chilenas-e-lancado-em-sp.jhtm

http://fotos.noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/mulheres-chilenas-pesquisa_album.jhtm

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A força da união

Nesta semana vem ao mundo o livro Memória Social: Chilena tu eres parte, no te quedes aparte. Esta publicação é fruto de um trabalho coletivo, mas seu ponto de partida é um projeto apresentado por duas imigrantes chilenas em São Paulo – Oriana Jara e quem escreve- com uma proposta de trabalho coletivo com mulheres chilenas acima de 50 anos.

Percebíamos que este grupo estava sem sentir seu lugar no mundo. Um mundo que era diferente daquele que costumavam viver. Muitas já estavam separadas ou viúvas, outras tentando lidar com as mudanças do casamento no momento da partida dos filhos. Nos anos 70 ou 80 enfrentaram o desafio de deixar o convívio familiar em nome de um projeto com o marido no Brasil. Nos anos 2000, a questão era quase existencial: e agora?

Memórias da infância e dos anos de juventude no Chile, a descoberta do Brasil e de ser imigrante, compõem um tecido de vidas únicas, singulares, mas também tão como as nossas. O livro registra um trabalho em conjunto, entre mulheres, pois juntas ao compartilhar as experiências, ganhamos força e não ficamos perdidas na solidão. E o mais importante, em conjunto, percebemos do que somos capazes quando abrimos espaço para nossos sonhos e buscamos, dentro de nós, o nosso potencial.

Local: Instituto Cervantes, Av. Paulista, n. 2439, dia 30/11, às 19h30.

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Das pedras e dos loucos do caminho

 Há diversos tipos de loucura e de loucos. Há graus de loucura, por isso é bom a gente saber reconhecer a nossa…

Hoje, fiquei frente a um louco com um certo poder, daqueles que estudaram em boas escolas, funcionário (e representante) de governo, do meu governo, diga-se de passagem… Daqueles que traja finos ternos, educado, estudou em colégios de elite, mas um louco dos piores, com gosto de exercer o poder, não daquilo que o poder possibilita fazer, mas de ter poder para espezinhar, para expor sua vaidade e, principalmente, para destruir. Daqueles que em geral nos dias atuais andam comedidos, pois têm medo de serem politicamente incorretos. Tive que lidar com um desses seres à moda antiga que exerce o poder com ameaças e tem muito prazer nisso.

Fiquei pensando como desenvolver vacinas contra esses seres, para eles não nos contaminarem com suas perturbações. É preciso! O mundo ficaria mais saudável. Eles são minoria, mas são uma minoria ruidosa e que atrapalha quem trabalha e quer viver na paz.

O caminho tem pedras, parece que é isso. Agora, as pedras ficam e a gente caminha.

Se de pedras se trata, eu prefiro as das Pirâmides do Egito. Há milênios contemplam a nossa loucura

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Sonhos de transformação

Nos últimos tempos venho sonhando que eu estava numa cama morrendo, mas resistia a morrer… Como leitora de Jung, sei que quando sonhamos com a morte, significa transformação. Comecei a ler um pouco de Jung, procurando entender os meus sonhos, por isso eles hoje não me assustam, em outros momentos certos temas me assustaram, mas agora sei que através dos sonhos o nosso inconsciente fala e nos dá pistas para nossa jornada, nos revela uma informação que precisamos conhecer trabalhar. Em outro sonho recente eu estava atravessando uma fronteira internacional com a minha mãe carregando 2 grandes malas, eu ficava preocupada com as bagagens encostando no chão sujo, como em algumas alfândegas, e no trampo de carregá-las, pois as malas só estorvavam… Malas simbolizam nossos pesos que nos impedem de caminhar. Fiquei me perguntando o que precisaria largar, mas resistia a tal e se estou num processo de transformação o que em eu ainda reluto em largar? Que padrão pelo costume ou por outros motivos ainda me acompanha?

A vida é transformação. Na natureza a mais visível, talvez seja o processo da lagarta se tornando borboleta. Agora ando trabalhando essa pergunta, o que deve morrer para renascer? O que deve ficar para eu seguir em frente? Estou nesta procura.

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Tudo, numa fração de segundo

Nesta semana um episódio familiar me colocou frente à questão da fragilidade de nossa existência e do mundo tal como o temos, seja ele do jeito que for. Com as nossas mesquinharias, intolerâncias, belezas e alegrias, com os amigos, irmãos, parceiros, amores, amantes, chefes, filhos, desafetos etc. Nossa atitude muitas vezes oscila entre fazer uma tempestade num copo de água: a pasta de dente destampada, a luz acesa, a lição mal feita, o sapato sujo na sala, o jornal no banheiro… e o deixar passar o que precisa uma atitude: a sabotagem de um colega, um emprego meia boca, o desrespeito do filho, o desamor…

De repente, vislumbrei que o toque do telefone poderia ter me anunciado “a casa caiu”. Numa fração de segundo, como num filme, vislumbrei uma cena em que nada voltaria a ser como era. Em lugar das pequenas mazelas cotidianas, teria que lidar com uma grande perda.

A providencia se encarregou de que quando o telefone tocou, não me anunciavam uma tragédia, mas que “tudo” estava bem. E “tudo” estava bem mesmo. O pior não tinha ocorrido, vida estava intacta.

Nessas situações limites a gente percebe que a vida vale muito a pena, por isso não dá para desperdiçá-la, perder tempo com bobagens ou mesmo com o sofrimento. A dor existe sim, mas a vida não é sofrimento, as mágoas devem ser superadas, a gente deve aprender a viver bem, sem estacionar na dor e sem causar sofrimento. No pior cenário encontrar uma estratégia para sair dele, no melhor, aproveitar o presente, sem se apegar pois a vida é um caminhar.  

Tudo sempre pode mudar de repente, no limite, pode cumprir-se aquela certeza que temos desde que nascemos, a certeza de um dia se ausentar.

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A grande viagem

 Me perguntaram nesses dia o que mudou aos 40 anos? Queriam saber se eu tinha feito alguma grande viagem que tivesse mudado radicalmente a minha vida. Do tipo da protagonista do livro Comer, Rezar e Amar. Na verdade eu fiz inúmeras viagens ao longo da vida, para descobrir que para ter felicidade é preciso procurar dentro da gente. Às vezes queremos uma transformação e não sabemos como começar, outras resistimos à mudança e a vida nos passa a perna. Há o exemplo da Mara Gabrilli que numa noite de verão de 1994, estando com o namorado na praia, pediu muuuito uma transformação. No dia seguinte saindo do balneário, eles sofrem um acidente automobilístico, e ela acorda completamente entubada e tetraplégica. Após cursar psicologia, passou a atuar na vida pública tornando-se uma mulher atuante e respeitada.

O que mudou? A minha forma de caminhar. Isto porque mudou minha perspectiva da vida. Aos 15, há o futuro pela frente: isso assusta. Aos 20, você está buscando seu lugar no mercado de trabalho, para alguns é o momento de casar e ter filhos (não era bem o meu caso, eu queria autonomia). Aos 30, você ainda anda com as lutas diárias –contas, supermercado, filhos, marido-, começa a ficar frustrada pelo que “não deu certo”, ou então nem sabe bem o porquê de não estar feliz quando está tudo como se queria… O que ocorre que não estou feliz? Como lidar com isso? Aos 35 vem a total ciência que o tempo passa. Tv, revistas etc. insistem em nos lembrar que a gente não é mais jovem, no máximo, se passar cremes ou botox a coisa na aparência alivia. Nessas ondas gigantescas que parecem tomar conta de nossas vidas, começamos a nos perguntar o que a gente quer da vida. E esta pergunta se encadeia as outras, o que é a vida afinal? O que somos nós? Essa casca que se deteriora com o tempo? E meu espírito que insiste em se sentir jovem, numa idade que não é a que meu RG indica?

Nesse momento de inquietação surge a busca por outros caminhos. E esses caminhos não são fora, são dentro da gente. A grande viagem é essa!

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Para fazer do Chile um grande país

Termina setembro, mês central das celebrações pelo seu bicentenário de vida republicana no Chile. Sinto tristeza ao perceber que a rapidez com que o país consegue dar resposta a mega terremotos, não é a mesma ao tratar com as questões do convívio social. Continuamos apegados a velhas divisões sociais e político partidárias, ainda somos uma sociedade conservadora em quanto a questões de gênero; com os povos originários, em especial com os mapuche, temos sido (e continuamos sendo) violentos e intolerantes.

Por todo o globo, o século XXI nos coloca desafios. Por todo o globo, os principais desafios são da ordem da convivência social, de como nos relacionamos com os outros. Neste quesito ainda não conseguimos coisas básicas:

– O reconhecimento da diversidade do humano.

– O reconhecimento de erros e violências históricas, sejam eles a escravidão, as políticas de assimilação, destruição de saberes, de redução em “reservas”, apropriação de terras dos povos originários etc.

– Entendimento que o crescimento econômico ou unidade nacional não pode ocorrer a qualquer custo.

A agenda do século XXI requer respeito à diversidade do humano, o compromisso com as próximas gerações, este se traduz na preservação das riquezas de todas as ordens: naturais, da cultura material, saberes étnicos milenares. Precisamos começar a perguntar-nos de verdade como queremos viver o presente, que tipo de relações ter? Seja políticas, entre homens e mulheres, pais e filhos, no trabalho etc. Ser de um país não é apenas cantar a canção nacional bebendo vinho tinto e comendo empanadas -em ramadas onde todos somos iguais- e voltar para a casa satisfeitos.

É preciso que cada um se pergunte que país queremos? Que mundo queremos? Precisamos também começar a dar respostas com nossas ações. Aqui vale o básico princípio ético kantiano: fazer ao outro aquilo que gostaria que fizessem comigo, tratar o outro como eu gostaria de ser tratado. Olhando bem, necessitamos respeito pelo outro que não é um outro, sou eu também.

A coisa é simples, um país é verdadeiramente uma grande nação quando todos os seus membros vivem bem. Assim talvez os terremotos e tsunamis não precisem ocorrer com tanta freqüência para remexer a terra sobre os nossos pés.

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O símbolo da vida e o cristianismo no Egito

No templo de Karnak, na cidade de Luxor, um dos obeliscos remanescentes do Egito

No Egito antigo, um símbolo aparece em todos os templos, obeliscos e monumentos, ele está presente nas mãos dos deuses ou na escrita hieroglífica, em cada templo, de Menphis até o templo de Ramses II em Abu Simbel (quase fronteira com o Sudão). Trata-se do enigmático Ankh.

Na escrita hieroglífica há diversos símbolos, entre eles, o olho de -do Deus- Hórus, Rá (o sol), o escaravelho (proteção), djed (o cajado), no entanto, os Deuses estão sempre com o ankh em suas mãos. Parecem transferir ensinamentos ou auxiliar o faraó, em vida.

Deusas conversam com o faraó. Isis está no meio da imagem

Osíris, Deus do reino dos mortos espera o faraó -e todos os mortais- para o julgamento após a morte. Se o coração da pessoa pesasse menos que uma pluma, ela segue seu caminho e se reencarna (para os egípcios antigos, cada pessoa reencarnaria cerca de 700 vezes), do contrário, era a morte eterna, algo trágico nesta visão. Os tesouros que os faraós enterravam, bem como a mumificação (processo que permitia a conservação) dos corpos, remetem a este cuidado para o espírito no seu retorno à vida conseguir encontrar o “seu” corpo e suas riquezas para dar continuidade à sua evolução.

O Ankh, em algumas leituras, tem o sentido de uma chave, pois faria a ligação entre o reino dos vivos e dos mortos, por este motivo também é conhecido como o símbolo da vida, ou da vida eterna.

Os egípcios que não tinham uma palavra específica para religião, pois não separavam as relações com o sagrado da vida cotidiana, deram à sua escrita o nome de “palavra de Deus”, atribuindo sua invenção a Tot, Deus da sabedoria. O papiro foi outra criação egípcia, para tornar possível o registro e a circulação da “palavra de Deus”.

O Egito é um lugar importante para o cristianismo, contam as escrituras que Jesus, junto com Maria e José se esconderam por mais de 2 anos próximo a uma histórica sinagoga, um lugar que hoje abriga uma igreja bastante simples. Após o advento do cristianismo, os cristãos que permanecem no Egito -conhecidos como coptos- farão do ankh sua cruz.

No templo de Luxor, vemos pinturas cristãs sobre hieróglifos inscritos anteriormente nas paredes

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Conversa com as estrelas

Gostaria de contar uma história familiar, é a primeira lembrança que eu registro da infância. Quando nasci, minha mãe sabia que não queria para mim a solidão que ela, como filha única, experimentara. Depois de mim, ela engravidou, perdeu e os médicos disseram que dificilmente voltaria a engravidar. Alguns anos se passam, meus pais já estavam vivendo no Brasil, e minha mãe num domingo de Ramos, conversa com o divino e faz uma promessa. Em janeiro do ano seguinte nasce o rebento.

Durante a gravidez, eu já estava com 6 anos, sei que me perguntaram, o que queria: menino ou menina? Nem pensei: menina! O bebê chutava muito, acho, e o médico disse que era um menino. Tudo foi preparado para menino. Até o nome. Acho que tentaram me convencer de que ganharia um irmãozinho, mas não teve jeito, ninguém conseguiu. No dia do parto me deixaram aos cuidados de uns conhecidos, passei a noite nessa casa. Lembro de uma cena, eu conversava com as estrelas e contava para elas: “todo mundo está dizendo que é menino, mas eu sei que é menina!” No dia seguinte me levaram à maternidade e surpresa! lá estava a minha irmã, Claudia. Surpresa nada, eu já sabia…

Um irmão pode ser um companheiro para as brincadeiras, mas mais do que isso te faz perceber que o mundo não é só seu, nem funciona sempre da forma que vc quer. Para começar, dividir os pais e o quarto. À noite era uma eterna “briga”, “apaga a luz, quero dormir!”, “não, to lendo! Aí começam as primeiras noções de respeito entre pares, o aprendizado de compor para obter o que desejávamos, a parceria. Aos poucos, com a Claudia, desenvolvemos um amor incondicional e uma lealdade infinita. Há 20 anos que meus pais e minha irmã voltaram para o Chile, eu fiquei por aqui. Sinto falta de sua companhia, mas mantemos a conexão. Ela pode viver do outro lado do continente, mas seu amor mora comigo.

Tenho ganhado muitas amigas-irmãs ao longo da minha vida. Considero uma inesgotável fonte de alegria, tomar um chá com amigas, um espaço fora do tempo revigorante. Hoje, algumas moram longe, pois se mudaram seja para Brasília, Ilhéus, Porto Rico, outras vivem em São Paulo e conseguimos, de vez em quando jogar conversa fora, em meio à correria que vivemos. Sempre que nos vemos, sinto que deveríamos fazer + disso.

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Carta para uma grande amiga

No outro dia escrevi para uma grande amiga que vive no Chile, mas mora no meu coração. Decidi compartilhar no clã.

Há alguns anos houve um momento em que me sentia… nem sei como, sei que não estava feliz, isso sem haver motivos para ser infeliz. Tinha um bom emprego, casa, amigos, não tinha grandes dramas familiares. Para sair dessa sensação de embotamento fiz várias coisas: pulei de paraquedas, viajei para diferentes lugares, análise, entrei em grupo espiritual para descobrir algumas coisas fundamentais: (1) Que o “problema” estava em mim e (2) que a “solução” estava tb comigo. Mas eu continuava tropeçando nas mesmas pedras, com medo dos meus velhos fantasmas. Fui ficando cansada, bem cansada de mim. Prestes a cumprir 4O anos achei que era uma boa hora para revisar esse percurso e assim me preparar para os próximos 40. Fui fazer caminhada. Depois de caminhar 10 dias sob o sol escaldante, o frio da madrugada, subir serras, chegar todas as noites com os pés destroçados, percebi outras tantas coisas importantes: que é muito gostoso ver o nascer do sol, ouvir o cantar dos passarinhos, olhar todo o tipo de árvores e até as pedras, isto porque é muito bom ter um corpo que vê, ouve, cheira, percebe e caminha. Cada dia se caminha um pouquinho e cada amanhecer nos permite um recomeço.

Descobri também que o meu cansaço vinha em parte das mágoas e dores que eu carregava e percebi que para viver bem precisaria esvaziar minha bagagem. Caminhar é o nosso destino. Podemos caminhar com ou sem sofrimento, a gente escolhe. No caminhar a gente vai ter dores (bolhas, cortes, frustrações, incompreensões, maus tratos…) A gente sente a dor. Sentimos, pedras não sentem! Somos feitos de carne, osso e sentimentos. A gente sofre, sofre sim, mas tal como um dia depois do outro, a dor deve ser confortada. É certo que às vezes as dores vão ficando acumuladas pois não conseguimos lidar com elas. Mágoas e sofrimentos devem passar para não ficarmos estacionados na dor.

Por do sol no Nilo

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As cores no Nilo

No templo de Hat shep Sut

As imagens que temos do Egito, quase sempre cor de areia do deserto, não fazem justiça ao que eram esses templos. Na origem, todos os templos e inclusive os túmulos eram totalmente coloridos. Os altos e baixos relevos eram pintados com tintas naturais com cores fortes: azul, magenta, amarelo, branco, preto. Alguns resquícios sobreviveram à passagem do templo, como o que se pode ver no templo de Hat Shep Sut, na cidade de Luxor, antiga Tebas e no conjunto de Karnak, também em Luxor. Hat Shep Sut governou o Egito durante 22 anos, de 1479 a.C. a 1457a.C., era filha de um grande faraó Tutmoses I. Quando seu pai falece, assume o trono, Tutmoses II, um filho de uma esposa “secundária” e Hat Shep Sut é obrigada a se casar com ele, tornando-se esposa de seu meio irmão e novo faraó. Tutmoses II falece jovem e Hat Shep Sut assume o reinado, contrariando os interesses de muitos nobres, e se torna a única faraó mulher que se tem registro. Tebas foi a 2ª capital do Império egípcio, ganha relevância a partir de 2000 a.C.

No templo de Hat Shep Sut

Em Karnak

Luxor, conjunto de Karnak
Entrada do conjunto de Karnak, cidade de Luxor

Em Karnak, Fragmentos de um teto, com um céu azul, bem estrelado.

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Do Nilo, a vida

No interior dos templos, todo o conhecimento

À beira do Nilo a vida corre. Mulheres lavam roupas, crianças se banham se refrescando do calor de 50 ºC, pastores tangem as ovelhas, velhos esperam o tempo passar na soleira de suas casas de barro do próprio rio, homens conversam à sombra de tamareiras. Minaretes, mesquitas, mesquitas e minaretes por todos os lados. Algumas têm cúpulas verdes informando que o responsável já cumpriu sua obrigação de muçulmano e visitou Meca.

Fertilidade.

Trata-se de um dos poucos no mundo que corre do sul para o norte. Nasce no lago Vitória e deságua no mediterrâneo, depois de percorrer + de 6.600 kms. Este rio permite a prosperidade em meio ao deserto. Ao longo da história seu regime de águas permitiu uma farta agricultura, bem como o conhecimento dos ciclos da vida. Cada coisa a seu tempo. O tempo de cheia fertilizava a terra e permitia navegação, conta-se que as pedras para as pirâmides eram trazidas do sul para o Cairo nesses meses; o tempo de estiagem permitia a plantação. Alimentos: fonte de riqueza no deserto. Há milênios a vida se desenvolve às margens dessas águas.

Os egípcios construíram um grande império. Hoje vemos alguns vestígios desta refinada civilização.

Ilha de Philae - Templo Grego de culto a Isis. Totalmente inundado pela represa de Assuã. Pedra a pedra foi transferido p um lugar + alto

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Caminhadas pelo Egito

Esfinge e pirâmides no Cairo. O nariz da esfinge foi destruído por um fanático que não aceitava os cultos antigos

Ilha de Filae – Templo de Isis

 É mágico entrar em outro mundo. Em julho estive no Egito, visitar este país permite entrar em diversos mundos. As pirâmides, são os monumentos + conhecidos, mas todo o país é um museu a céu aberto. Foram encontradas 108 pirâmides, há cidades deslumbrantes com milênios de história como Luxor, a antiga Tebas do império Egípcio, diversos sítios arqueológicos já abertos a visitação como Abu Simbel e o Vale dos  Reis e das Rainhas, centenas de templos e túmulos.

Abu Simbel - Templo construído na fronteira sul do Império Egípcio pelo faraó Ramses II. As obras se iniciaram em 1284 a.C.

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Como é bom recomeçar!

Se a vida é uma experiência, se alguma coisa não deu certo, sempre é possível fazer diferente. Enquanto estamos neste barco sempre dá para mudar a rota quando percebemos estar entrando num mar que nao esteja para peixe. Tem gente que passa pela vida se enroscando em problemas e nao sai do labirinto. Para quem está na busca do conhecimento, a transformação longe de ser evitada, precisa ser buscada.

Na virada dos meus 40 anos, apostei numa renovação. Comecei a procurar o que me faria viver melhor, que aspectos deveria cuidar, quais precisavam atenção. E passo a passo fui fazendo uma virada. Estou nesse percurso, mas alegre e satisfeita por estar no caminho. Se não for aos 40, vai ser quando? Tudo bem, pode ser aos 50 ou 60, cada qual no seu ritmo.

Nessa procura, recuperei a minha história, o que havia feito na juventude a na vida adulta. Me surpreendi com o que vi. Sempre fui super certinha, bastante solitária, entretida com os livros, programas? Só culturais… Jovem queria ter autonomia, me virar. Sonhava em viver sozinha e viajar. Estudar sempre foi fácil e para alguém acostumada com os livros e com muitas questões para a vida, cursar filosofia pareceu uma resposta para as angústias existenciais. Na filosofia, vi pensamentos muito interessantes, mas era um saber olimpiano para um grupo que se considerava olimpiano. Meus colegas eram do tipo intelectuais, qualquer balada era regada a cigarro, bebida e papo cabeça. Éramos cabeças pensantes, para nós, só havia o mundo das ideias.

E a vida sentimental? Bem, sempre complicada. Casamento? Nem pensar! Um homem poderia atrapalhar a autonomia conquistada. Certamente eu queria o amor, mas como “mulher moderna”, nem sabia bem o que era isso. No plano amoroso foram tantas bolas fora ao longo dos anos… alguns candidatos foram descartados nas primeiras saídas: ah com esse não temos nada a ver! E os que eu gostava não queriam nada “sério” comigo. Aquela velha história, João que amava Maria, que amava José.

Depois de muitos desencontros, comecei a me perguntar, o que andaria errado? Lá no fundo do baú encontrei um grande medo de viver, o grande fantasma era medo de amar. Por que?  Medo da entrega, de não ser correspondido, medo de se perder no desejo do outro, medo de reproduzir as relações de nossos pais e avós.

Esse reconhecimento foi o início da transformação, porque ver e conversar com os nossos fantasmas ajuda. Permite tomar contato com alguma dor e assim poder curar uma ferida. Acolhendo a dor, ela deixa de reclamar e nós deixamos de andar por aí sofrendo. A vida começa a valer a pena ser vivida e por aí, um belo dia, descobrimos o amor…

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Do Caminho, das chegadas e das partidas

Um ano depois, em julho de 2009 fiz o último trecho e cheguei a Aparecida. Lá pude cantar “Salve a Santa Padroeira. Mãe da nação brasileira. Mãe das ãguas, Mãe das Mães. Mãe de todas as nações”.

Um dia depois do outro. Passo a passo a gente chega lá. Basta querer. Mas não se chega sozinho!

E se alcança um ponto para começar novamente a caminhada.

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+ do caminho

Nada como um passo depois do outro.

“Para cada esforço disciplinado há múltiplas recompensas” Jim Rohn

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No caminho com mochila

Fotos da caminhada da Fé em julho de 2008. Saímos de Tambaú (SP), eu deixei o grupo em Estiva (MG). Foram cerca de 200 Kms em 9 dias de caminhada. Nesse ano, nao cheguei ao destino final, Aparecida, pois precisava voltar a trabalhar.

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Para viver + 40 (2)

5. Carregar uma mochila leve. Quem é leve, voa como um passarinho. O peso afunda e nos afunda.

6. Deixar fluir A ciência da transmutação. Se a energia não está boa, fuja dela. É um aprendizado, reconhecer o que não está legal, seja uma reunião ou um encontro, mas a esta altura do campeonato a gente já sabe reconhecer, só é preciso um pouco de atenção. Dores, dissabores, tristezas? Sinta, quando necessário, e deixe passar.

7. Dançar

8. Trabalhar sempre.

9. Verdade e consciência Ter consciência que se fez o melhor possível, que se bem algumas coisas ficaram faltando, aquilo que foi feito, foi realizado com sinceridade. Viver sempre com a verdade. Buscar sempre a verdade naquilo que fazemos.

10. Parceiros A alegria e o humor são bons companheiros na caminhada. Seriedade não é sisudez. Pode que o caminho não fique mais fácil, pelo menos fica + leve. (Estou neste aprendizado)

11. Fuja: A vaidade, o ciúme, a inveja não são boas companheiras.

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A vida começa aos 40

Um velho chavão. Quem está no vigor da juventude, longe dos 40, pensa que é uma grande bobagem. Muitos dos que estão nesse limiar proferem essa afirmação sem convicção. Já se sentem os efeitos da gravidade e dos radicais livres: rugas, flacidez e manchas. Essas malvadas não existiam, eis a oxidação dizem os especialistas. Um novo nome para um antigo fenômeno: o envelhecimento.

A idade parece uma doença contagiosa da qual ninguém quer falar. Se a idade chega, que não se vejam os seus efeitos. No nosso mundo, a exigência é ser jovem. Eternamente jovem, se possível. A beleza está do lado da juventude. Beleza significa ter uma pele lisinha, um corpo sarado, uma barriga tanquinho.

A indústria da beleza promete deter os efeitos do tempo: cremes antirugas, anticelulite, peelings, liftings, silicones, lipoaspiração. Existem ainda alternativas para os que querem soluções rápidas e radicais: cirurgias plásticas. Tudo para manter a aparência jovem.

O problema surge, pois não se engana o RG. Quando se está na casa dos 40, já ocorreu o inevitável e agora? o que fazer? A batalha travada é por não parecer, ter 40 com cara (e corpo) de 20, se possível.

Trata-se de um luta para se ajustar a um padrão estético, mas há uma dimensão que não é física. Aos 40, alguma coisa parece não se ajustar. O nosso espírito está jovem. A gente se sente jovem, a despeito dos cabelos brancos insistindo em aparecer…

Como assim? Parece uma brincadeira de mau gosto. Agora que os medos e bobeiras de adolescente já ficaram para trás, que a gente sabe e pode fazer o que deseja, que o salário está bom. Justamente quando há boas conquistas para se desfrutar: independência financeira e maturidade. Bem, não sempre, mas vamos caminhando para isso. O mundo nos coloca que já somos senhoras e senhores, tiazinhas e tiozinhos… e que o movimento não é mais ladeira acima. Atônitos, percebemos que para o mundo já passamos do ponto, “já não temos mais idade”. Não temos idade para vestir mini-saia, para namorar, para começar de novo, enfim a lista de nãos é enorme. O duro é que muita gente se convence disso, entra em pânico ou em depressão.

Ouvimos os nãos na infância e na juventude, o não porque se é mulher, o não porque há responsabilidades. Os anos se passam e a gente passa por eles procurando responder às expectativas do mundo. Ser bela, inteligente e profissional, ter um bom emprego, um namorado, casar, ser mãe, ter belos filhos.

Aos 40 pode ser o momento da virada, da liberdade, da liberação dessas obrigações. Aos 40, a gente já não precisa mais correr atrás da aceitação. Já sabemos que quem gosta da gente, vai continuar gostando.

As amarras dão espaço a um novo o imperativo: de viver melhor.

O tempo passa, é verdade, mas a gente não precisa sofrer com isso. A gente pode aproveitar o tempo que nos resta. Trata-se de escolher é como vai se viver os próximos 40 anos. Com mais prazer, mais alegria, mais paixão, mais amor, mais saúde?

Menos a vontade dos outros, menos sofrimento, menos angústia?

Menos dever, mais querer?

O primeiro dia dos nossos próximos anos começa hoje! E a nossa escolha pode ser agora!

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