Arquivo da tag: amor

A eternidade diária do amor verdadeiro

O encontro do amor, a flor que todo mundo quer cheirar, talvez este seja o maior desejo de homens e mulheres. De repente, acontece e você embarca na aventura do relacionamento. O que desejam aqueles que entram na aventura? Certamente, todos almejam experimentar a sensação de flutuar com o beijo, tremular ao sentir o toque, mas o que nos liga a esta ou àquela pessoa? A beleza, o sorriso, o charme? A inteligência, a integridade, a conta bancária? Já ouvi uma mulher dizer que os sapatos usados pelo futuro marido lhe foram irresistíveis… Alguns dizem “o jeito de menino indefeso”,  o “jeito protetor”, o” jeito firme”, enfim, a expressão “jeito” pode indicar diferentes coisas.

Alguns têm o desejo de formar com ele/a a própria família,  encontrar um pai ou uma mãe para os filhos, mas o que desejamos do nosso parceiro? Ninguém tem muita clareza a respeito. “A felicidade”, eis uma resposta bastante ouvida, bem, mas no quê consistiria isso? Um céu aqui na terra? Como ela ocorre no convívio diário, ao descobrir que o/a amado/a ronca, chega suado/a em casa depois de um dia de trabalho? Como ela ocorre depois de ver uma cara amassada, barbada ou sem maquiagem todas as manhãs? Como ela acontece a despeito do alto de louça para lavar e das camisas para passar? Como ela se dá quando o tempero da comida começa a cansar e aparece a vontade de fazer uma boquinha na padaria ou esticar no happy hour com os amigos?

Rompe-se o  idílio imaginado e alguns logo pensam “me enganei, não era amor verdadeiro” e caem fora, a fazer a fila andar; estes idealizam os relacionamentos, sem se dar conta que buscam aquele happy end dos contos de fadas, quando a princesa permanecia divina e o príncipe lindo e charmoso por toda a eternidade. Muitos entram e saem de relacionamentos revivendo as mesmas experiências, sem saber por quê… Outros se cansam, fechando as portas, “melhor sós do que mal acompanhados”, pensam… Alguns persistem na busca abandonando as idealizações em seus novos relacionamentos, cai a ficha de que eu posso não estar sempre certo, de que preciso ver e respeitar o outro, enfim, percebendo-se humanos e também a humanidade do/a companheiro/a, continuando a amá-lo assim mesmo; grande passo na caminhada, um saudável amadurecimento.

O que se busca no outro, certamente é inconsciente, mas consciente deve ser o aprendizado que a idealização do eu (ou do outro) não é saudável e que se a experiência começa a se repetir, é melhor desconfiar que há alguma coisa errada comigo, não com o mundo….

É certo que as pessoas querem o amor e os relacionamentos, contudo o que nos atrai também nos assusta. Existem muitos medos para encarar a vida a dois, os egos querem se manter no comando, resistem e criam defesas. O casamento é esta grande caminhada a dois rumo ao desconhecido, inclusive de nós mesmos. Feliz daquele que se permite entrar neste caminho.

Deixe um comentário

Arquivado em Papo de áquia

A luz do Natal

O nacimento na Igreja do Arcanjo, na região de Trodos, Chipre. O conjunto de 10 igrejas remonta ao século XI

O Natal chegou, momento de alegria, felicidade, compartilhamento de mesas fartas e presentes para celebrar o amor. Bacana.

Se por um lado, o Natal nas propagandas está repleto de gente sorrindo, nas celebrações de fim de ano, a data desperta, no mínimo, sentimentos ambíguos. O Natal está associado a presentes, à ceia familiar, mas e se nossa família não é como a da propaganda? E se os tios encontram sempre algo chato para perguntar? Vestibular, casamento, filhos ou qualquer tema sensível?

Na infância, o Natal comporta uma magia, luzes coloridas, o velhinho simpático que chega de trenó trazendo presentes, ao lado da árvore aparece a imagem de um menino que nasce em uma manjedoura, filho de Maria e José.

Quando nos contam que o Papai Noel não existe, a realidade desaba sobre nossas cabeças. Passam os anos, vemos que os beijos e as palavras de certas figuras familiares podem não ser sinceros, algumas pessoas queridas se vão e o Natal torna-se uma festa vazia, cheia de obrigatoriedades -até de estar feliz-, em um momento que estamos todos cansados, pois é fim de ano. Ao nos tornarmos adultos, somos levados a esquecer a magia, coisa de crianças, dizem-nos. O que celebramos nesta data, mesmo?

O significado do Natal anda longe de nossas referências, quase não há presépios nas ruas. Em um mundo desencantado, as narrativas da tradição parecem conversas de velhas carolas, perderam seu valor entre homens e mulheres que se professam modernos, não admira que a celebração natalina esteja reduzida quase que somente à obrigatoriedade da reunião familiar. Inclusive muitos preferem a festa da virada, pois tem sentido despedir o ano velho e saudar a chegada do novo.

Entre os antigos, antes mesmo do judaísmo e do cristianismo, no período, celebrava-se o renascimento da luz, após a escuridão do inverno, no hemisfério norte. Eu gosto do mistério da luz que vêm depois da escuridão, quem passou por uma nebulosa, sabe da importância de se enxergar a luz.

Ao racionalizar o mundo, despovoamos o universo do mistério e banimos diversos rituais, seja para fertilizar a terra, germinar a semente, de colheita ou da poda. Ao reduzi-los a uma visão mítica do mundo nos esquecemos que eles pontuam os ciclos da vida. A primazia da racionalidade,  para muitas gerações, esvaziou a própria vida de significado, ao se desvencilhar do sentido dado pelas narrativas das diversas tradições.

Gosto dos rituais, pois aprendi que eles nos relembram que a vida é circular e cíclica, bem como de coisas importantes, das chegadas e partidas, ajudando nas transições e passagens. Longe de acreditar que esta visão é  verdade universal, mas para mim faz sentido.

O nascimento de Jesus, o tão esperado Filho de Deus que se faz carne, apresenta-se como uma grande data na tradição  cristã da qual somos herdeiros. Poucos sabem que a figura de Jesus inaugura uma nova forma de pensar e se relacionar com o divino, Deus torna-se o amor, deixa de ser a transcrição da lei. Essa nova figuração me parece importante, pois o amor é uma experiência única e irresistível, até para os mais racionais, expressão da nossa divina humanidade.

Neste Natal, aproveite, celebre a vida contida em cada nascimento, conecte no amor que você sente por todos os seus e encante uma criança, como aquela que você um dia foi.

Feliz Natal!

 

Dirck Barendsz, 1565, Igreja de Janskerk

 

Deixe um comentário

Arquivado em Histórias e mitos, Ideias, Papo de áquia

A pergunta do amor

O encontro do amor talvez seja o maior desejo de homens e mulheres, quem já o viveu sabe que ao encontrá-lo somos mais do que duas unidades que se fundem e se tornam uma terceira, surge algo muito maior. Agora, é preciso dizer, estar num relacionamento é aceitar um dos maiores desafios do universo. Tendo isto em mente, andei pensando no que seria necessário para fortalecer o amor e os relacionamentos.

Penso que cada membro de um casal deveria fazer uma pergunta aos seus botões de vez em quando, principalmente, em momentos chaves, quando se quer muuuuito casar, quando algo parece não andar como a gente quer, ou quando eu acho que as mulheres são de Marte e os homens de Vênus, ou talvez o contrário…

A pergunta do milhão: o que eu espero do outro?

Espero que ele cuide de mim? Que me proteja? Que me alivie das agruras do dia a dia? Para não dizer que pague minhas contas…

Desejo que ele/a me ame e que esse amor me complete?

Desejo que ele/a preencha meu vazio existencial? Minha fome de vida?

Desejo que ele/a faça eu me sentir nas nuvens?

Se ele/a não me amar não sou nada? Penso que ele/a me amando, tenho motivos para me amar? Ou seja, desejo que seu amor melhore minha autoestima?

Se estas forem as respostas, cada um precisaria fazer uma nova pergunta – esta agora vale mais do que bilhões, vale o sentido da própria existência-, porque eu não consigo encontrar isso em mim? Por que não consigo cuidar de mim, por que não consigo lidar com os desafios do dia a dia, por que não consigo encontrar o meu próprio projeto de vida, por que não me sinto bem comigo mesmo e fico esperando encontrar isso no parceiro…

A gente fica cobrando, sentindo falta de uma coisa que não tem, mas será que é dever do outro provê-la?

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias, Inspiradores, Papo de áquia

Eros, Afrodite e a flecha do amor

Escultura de Afrodite, no Museu de Atenas, Grécia

No Brasil, o dia 12 de junho tornou-se uma data para celebrar o amor, o atributo da grande deusa Afrodite e de seu filho, Eros.

Entre os gregos, a deusa da beleza era reconhecida por diferentes expressões, como Afrodite Anadiómena, a que sai do mar, Pandemia, a inspiradora dos amores comuns, a Urânia ou Celeste, a inspiradora de um amor etéreo, supremo, para alguns, superior.

Menino travesso, Eros, por sua vez, executa as vontades de sua mãe, com seu  arco e flecha atinge o coração dos deuses e dos homens, transformando-lhes o juízo. Às vezes, está de olhos vendados, porque, não raro, o amor é cego. Em uma variante, Eros nasceu do caos, a pulsão primordial, força motora do universo. A imagem de Eros como uma criança simboliza a eterna juventude de um amor profundo, mas também remete  a uma certa irresponsabilidade, quem já não cometeu alguma insensatez em nome do amor? Matar aula ou o trabalho,  transar sem camisinha, tatuar o nome dela/e, pular de paraquedas ou mesmo uma janela? Não raro, depois vem o arrependimento.

Com suas flechas, Eros contata, reúne e integra, procura superar antagonismos do masculino e feminino,  do sol e da lua, yin e yang, assimilando forças diferentes e contrárias em uma só unidade. Quando  dois seres  se encontram um ao outro e se reconhecem,  atualiza-se a centelha da libido original,  uma porção do universo se reintegra e o poder da deusa se faz presente. A magia do amor estabelece uma troca, onde duas partes se dão para, sem saberem como, conformar uma totalidade.

Afrodite e Eros, no Museu do Louvre, Paris. O corpo da estátua pertence ao século I d.C. a cabeça foi reconstruída no século XVII

Talvez, seja o nosso maior desejo e, quem sabe, o nosso maior desafio. Por toda a parte, homens e mulheres querem ser flechados e provar o doce do mel mundano e divino  do amor. Certo, mas será que estamos dispostos a pagar o preço da dádiva celeste?

Entregar o coração assusta o amante acostumado a caminhar sozinho com seus botões, em meio  às suas baladas e rotinas, temeroso de perder o juízo e ceder autonomia para viver a união. A vertigem de experimentar o que não posso controlar faz muito matuto fugir antes de sentir e muita gente muito esperta só entrar em roubada, não é à toa que, como dizia o poeta, há tanto desencontro pela vida…

Deixe um comentário

Arquivado em Histórias e mitos, Papo de áquia, Uncategorized

O teste do sal

Maio sagrou-se o mês dos casamentos. Junho talvez seja o mês das dúvidas, muitos começam a se perguntar: onde eu fui amarrar o meu camelo?

Todos querem viver o amor, mas só os corajosos se arriscam a consagrá-lo no casamento. Ao dar esse passo, o amor enfrenta a prova do sal, como dizia a avô de um querido amigo: só comendo vários saquinhos de sal juntos é que se prova a relação.

O sal testa a nossa paciência, a disponibilidade para doação e a capacidade de renúncia. Nos impulsiona também a desenvolver novos talentos e a reinventarmo-nos. A ser eu sendo parte de uma unidade. A formar uma unidade e seguir sendo eu. Nos leva a aprendizados.

Aprender a se colocar sem ferir o outro, pois falando é que a gente se entende, como diz a sabedoria popular. Às vezes, a gente acha que é melhor deixar para lá, às vezes é mesmo, não se deve brigar por tudo, mas é preciso pontuar o que é importante para nós. O outro não lê pensamentos, não pode imaginar o que gostamos e menos o que não gostamos.

Aprender a respeitá-lo 24horas por dia, 7 dias por semana, mesmo de TPM ou depois de um dia estressante no trabalho.

Afinal de contas isto não é menos do que a gente quer receber e só podemos pedir o que estamos dispostos a oferecer.

Surpreende-me que há escola para tudo, menos para o casamento. Como se a gente nascesse sabendo… Ok, algumas religiões têm alguns cursinhos antes do dia D, mas a maioria das pessoas vai obrigada. Os povos mais antigos preparavam seus jovens para a vida a dois e depois do casamento os mais experientes orientavam os jovens esposos. No nosso mundo hipertecnológico, cada um fica no seu canto, se comunicando pelo facebook e só se prepara para a autonomia, para ser profissional, coisas assim. Essas habilidades são boas para o nosso crescimento, mas a vida a dois requer outros talentos. Assim fica difícil transformar as arestas e as inseguranças.

O que fazer?

Lembrar que a gente pode hoje ser melhor do que ontem e amanhã, melhor do que hoje.

Acreditar que tudo é possível.

Perdoar.

A vida dois é uma grande magia que a gente nem sabe bem como, de repente, todos esses ingredientes se encontram e lá vamos nós de mãos dadas caminhando juntos sorrindo e amando.

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias, Papo de áquia

A vertigem

Todos dizem querer o amor. Chega o dia dos namorados e os solteiros suspiram por um amor… A solidão parece mais dolorida, até nos solteiros empedernidos bate uma pontinha de vontade de amor…

Eu me pergunto será que esse povo quer mesmo? Há de fato disposição para amar? O amor te leva nas alturas, mas também às profundezas do oceano num dia de tormentas e trovoadas. Será que o coração está aberto e disposto para o que der e vier?

Não significa aceitar qualquer coisa, na linha do “topo tudo por amor…”. Jamais entre nessa, eis um atalho para uma fria: tem coisas que não são negociáveis. Significa que ao reconhecer o amor, aquele que vale a pena, ter a coragem de levá-lo às últimas conseqüências:

– Dividir banheiro, cama e jornal.

– Dividir conta bancária.

– Dividir as festas familiares

– Perdoar as chatices, imperfeições e tooodas as bolas fora.

– Sofrer com o que aflige o amado

– Sorrir com suas alegrias

– Sonhar junto

– Compor e não competir. Se unir e não dividir

Enfim sentir a mágica e a vertigem, a dor e a delícia de estar apaixonado. Quando não há mais dois, dois são um.

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias

A grande resposta

Para que serve a vida?

Não tenho a resposta, mas diria que é para amar o amor, namorado, namorido, pai, filho, filha, marido, mãe, avó, irmã, tia, afilhada, prima, madrinha, amiga, o trabalho, as coisas que a gente faz, seja um delicioso prato, uma boa conversa, uma aula ou um filho.

Para se alegrar com a poesia, com as conquistas, seja um diploma, uma promoção, amigos queridos, com o filho que cresce na barriga, balbucia mamãe, vai a escola ou casa.

Para curtir as flores, o céu azul, as estrelas, o Black (“meu” gato), o caminhar pela floresta, nadar no mar, catar conchas na praia, a brisa gelada do inverno.

Para sorrir a cada novo amanhecer e para beijar quem você puder.

Para sentir alegria, tristeza, amor, raiva, dor, êxtase e, sem dúvida, aprender com tudo isso.

Aprender que, como as nuvens, tudo passa. Dor de dente, TPM, um porre, a festa de aniversário, um jantar chato e o legal também. O machucado sara, o corte fecha, os filhos crescem.

E tirar algumas lições: segurar a onda nas tempestades e, se não der pra segurar sozinho, pedir ajuda; curtir na calmaria; se aquecer com o sol da manhãzinha, que tudo depende da gente e que caminhar faz bem…

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias

A magia de Afrodite

Talvez seja uma das deusas da antiguidade das mais conhecida e das menos entendida. Cultuada como deusa do amor e da beleza. Atributos preciosos, pois todos querem amar, ser amados e um quinhão de beleza.

Pintada por Botticelli

Conta-se que teria nascido da espuma do mar fertilizada pelo céu, chegando às costas da Grécia, foi recebida pelas Graças que a vestiram com trajes belíssimos e se tornaram suas companheiras. Também chamada “a dourada”, numa associação ao brilho sol, Afrodite casou-se com Hefesto, o senhor dos metais, no entanto um deus coxo, um par estranho para a nobre deusa, convenhamos. Detentora de um amor transbordante, apaixonou-se inúmeras vezes, entre seus amores, figuram Ares, deus da guerra e o belo, jovem e mortal, Adônis. A nós mortais, não nos cabe submeter a deusa a um julgamento moral.

Amor é um sentimento vasto. Há o amor amizade, o amor fraternal, entre pais e filhos. Posso amar a Deus, posso sentir amor por todas as criaturas divinas. Afrodite representa o amor arrasa quarteirão, o amor-paixão, aquele amor que “todo mundo quer cheirar” como diz a canção.

A magia da deusa reside em sua força de atração e ligação, uma energia ardentemente desejada e bastante malbaratada. Muitas mulheres querem dominar as técnicas da sedução, para conquistar o mundo e os homens, não necessariamente nessa ordem. Em boa parte das revistas femininas busca-se instigar o lado Afrodite nas mulheres: “Técnicas para levar o seu homem ao delírio na cama”, “Como fazer um strip-tease”, “Incendeie o seu desejo”. Esta energia, hoje, aparece até na venda de cerveja. Fala-se a qualquer hora e em qualquer lugar em prazer e sexualidade, fantasias e fetiches. E há tanto problema sexual…

É preciso lembrar que durante séculos essa energia era coisa de p… Em pleno século XXI, boa parte das mulheres ainda sente as conseqüências de uma educação repressiva que mandava controlar e esconder tudo o que lembrasse a sexo. Até hoje muitos homens, mesmo os jovens, dividem as mulheres em “para namorar” e “para casar”.

Prazer, sensualidade, emoção, sexualidade. Energia vital que estabelece a atração entre os seres, em suas diversas formas, de tão poderosa, assusta. Por este motivo foi relegada aos porões durante séculos. Nos dias que correm, ela se mostra, mas continuamos sem saber como lidar com ela, corremos atrás dela, sem entender o que procuramos.

As mulheres Afrodite exercem o poder de sedução. Pelo sorriso, olhar, gingado do corpo, em suma, a sedução de estar de bem consigo mesma, com o seu brilho de mulher.

Deixe um comentário

Arquivado em Histórias e mitos, Ideias

Dos acasos e das escolhas da vida

Querida Vero

… Stéphane y yo cuando recordamos ese día….nos parece que fue ayer. El 11 de agosto 2001, plus exactamente cuando Stéphane llego al aeropuerto de Sao Paulo una vez que tomo un taxi vacilo entre el Conexión Caribe o el bar Azúcar…Felizmente el decidió de ir al Conexión….y bueno creo que el resto de la historia ustedes la conocen bien…….
Maité (de Paris comentando o post anterior)

Na semana passada escrevi a história de minha amiga Maité que conheceu seu amor num improvável encontro. Improvável, porque seu parceiro, Stéphane, vinha de Curitiba, sem conhecer São Paulo, queria dançar salsa, Azúcar ou Conexión? Decidiu pelo Conexión e hoje tem mulher e dois filhos por conta dessa escolha. Essa decisão apresenta um componente de acaso ou talvez de intuição, mas é certo que algumas escolhas podem mudar o rumo de nossas vidas. O “problema” é que nunca sabemos quais delas, pode ser o dia que decidimos parar e tomar um sorvete, mudar de caminho, ou levar o cachorro para passear. ..

Desse encontro destaco alguns pontos:

– O amor pode bater a nossa porta, mas não vem nos buscar em casa.

– O amor aparece quando a gente está livre. Há pessoas que com medo da solidão, vão ficando em parcerias sofríveis e nunca estão livres -e disponíveis- para o que verdadeiramente vale a pena. Quem anda com estepe, não abre espaço para alguém de 1ª aparecer.

Parece uma ideia super careta num tempo em que o povo fala em pegação, ficante já é antigo, além disso, já vi muito conselho de revista dizer que a gente tem que curtir o que aparece, fazer a fila andar, nisso, o pessoal vai pegando qualquer coisa e depois reclama… o cupido não vai jogar uma flecha se a/o candidata/o estiver ocupado.

Vale a lei das afinidades eletivas: a gente precisa estar bem para atrair gente legal, enroscado encontra enroscado e canalha procura canalha.Por isso é bom cada um cuidar de si, do corpo, da mente e do espírito, para estar bem quando o amor aparecer.

Maité e Stéphane

1 comentário

Arquivado em Ideias, Inspiradores

Amor à primeira dança

A gente ouve falar em amor à primeira vista, a história que presenciei talvez pudesse se chamar amor à primeira dança.

Maité fazia doutorado na farmácia da USP, tinha chegado de Cuba fazia uns dois anos, dona de um jeito meigo e de sorriso cativante, naqueles dias ela andava deslumbrante do alto do seu porte de modelo e com todo o cabelo trançado e, coisa rara, andava solteira.

Lembro como se fosse hoje, era um sábado de agosto, estávamos entre amigos num programa feijoada e samba num boteco perto da USP, celebrando meu aniversário. Naqueles anos, nossas reuniões mais pareciam um encontro de representantes da OEA (Organização de Estados Americanos), havia sempre cubanos, colombianos, argentinos, chilenos, brasileiros inclusive. Todos “jovens” estudantes da USP.

Já fim de tarde, o samba tinha ficado morno. Do almoço partimos para o Conexión Caribe, o bar do Esteban, um cubano, na Vila Madalena. Naqueles anos, era uma casa muito familiar que tocava a nata da salsa, son, merengue e outros ritmos. Chegamos lá pelas 21h, Maité voltaria comigo de carona, pois precisava trabalhar na sua pesquisa no domingo… o lugar estava vazio, nisso vejo um elegante homenzarrão surgir do outro canto da sala, caminhar decididamente na direção de Maité e tirá-la para dançar. Não deu para mais ninguém no salão. Não se desgrudaram. Lembro que eu quando fui chamá-la para ir embora, ela nem me viu, “Não, ela não quer ir embora”, pensei. Depois soubemos que o encontro era quase improvável, pois era a 1ª vez que o dançarino ia ao Conexión, pois morava em Curitiba e era francês.

Esse encontro produziu muitos frutos, dois atendem pelos nomes de Leandro e Maeva. Maité e Stéphane, anos depois, casaram-se em Cuba. Uma lembrança, minha amiga, comprometida com o seu povo, voltou para a Universidade em Cuba para transmitir os conhecimentos aprendidos no Brasil, por este motivo precisou passar pela demorada burocracia que todo cubano precisa fazer para poder se casar com um cidadão de outro país, adiando o casamento em vários meses. Hoje moram em Paris.

Gosto muito desta história, pois durante anos em que eu batia a cabeça nos relacionamentos, me trazia a esperança da existência do amor. Maité nestes dias completou 40 anos. Bela idade para as mulheres, alguns dizem que estamos pra lá de balzaquianas, a despeito do que dizem, eu estou convencida que é o começo de uma nova jornada.

Sobre o tema anteriormente escrevi o post A vida começa aos 40.

https://ocladaslobas.wordpress.com/2010/04/13/a-vida-comeca-aos-40/

Foto enviada por Ruben Duarte

Marcela (argentina.), Martha (colombiana), Maité, Magdalena (arg.) e Verónica (chilena)

3 Comentários

Arquivado em Inspiradores

Do amor e suas fases

Dizem os psicólogos que o amor tem fases.

Fase 1 – Tudo é azul, tudo é lindo, o casal concorda em tudo.

– Vamos escalar a montanha, pergunta João?

– ótimo … responde Aninha.

Nessa fase, o Romeu assiste filme romântico no cinema só pra para satisfazê-la. E ela começa a amar futebol.

É a fase do enamoramento, na qual se busca o acordo e se exaltam as semelhanças. Já não são mais João ou Ana, mas uma unidade, um casal, os amigos e a família passam a segundo plano, esquece-se tudo o que anteriormente se gostava de fazer.

Fase 2

Ele quer ficar em casa, ela quer sair. Ela deseja ir para a praia e ele, para as montanhas. No fim de semana, ele tem vontade de ficar dormindo na cama, ela quer acordar cedo pra curtir o dia. Assistem um filme, um acha ótimo, o outro uma droga. Daí pra mais,

– Teu pai falou besteira…

– Claro que não. É você que nunca entende o que ele diz!

O pessoal do psi, chama esta fase da diferenciação, as diferenças são ressaltadas. Aqui cada um está querendo o seu espaço, marcar sua posição e, para tal, muitas vezes se opõe ao outro. Muitas vezes a paixão termina aqui. E cada um se pergunta como foi se enganar assim?

Bem as diferenças existem, pois cada pessoa é um universo. Tem ideias, desejos, percepções diferentes.  Um conhecido livro apresenta um sugestivo título para falar das diferenças: Os homens são de marte e as mulheres são de Vênus (recomendo, porque, em momentos, ele é bastante didático). A coisa é como lidar com as diferenças para que elas não diminuam o amor, nem desestabilizem  a união? Grande desafio daqueles que buscam o amor! Listo alguns motivos:

– tendemos a levar a diferença para o pessoal. Ele quer sair com amigos? Ele já não gosta + de mim!

– queremos que o outro faça as nossas vontades.

– somos cabeça dura e, muitas vezes, não admitimos nossos erros, mas bastante rápidos para apontar o “erro” do outro.

– não aprendemos a ferramenta para sair dos impasses: a arte da negociação.

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias

Dia dos namorados -cabeça de homem

Aproxima-se o dia dos namorados, data crítica para quem está sozinho/a. Frustrante para muitos, mais um ano se passa e nada… Hoje no suplemento feminino do Estadão vemos uma matéria que dá voz a homens belos, bem sucedidos e solteiríssimos! Seu título “Cabeça de homem” promete-nos uma porta para o universo desconhecido do clube do bolinha.

Começo observando que nossos solteiros estão à procura da mulher ideal. E quem procura o ideal, na realidade, não procura, deseja ou sonha… Somos todos de carne e osso, os anjos estão no céu, os duendes as fadas, para quem acredita, na natureza. É correto termos consciência daquilo que queremos e do que não queremos, mas é preciso lembrar que seres de carne e osso temos momentos divinos, mas também apavorantes. Certamente, para ter uma vida saudável, algo que todos queremos, é fundamental detectarmos o que nos faz bem e correr atrás. Só os masoquistas correm atrás de pancadas…

Mas gostaria de destacar o que nos diz respeito, as queixas com relação às mulheres. Reproduzo o que eles dizem:

  1. Não há espaço para o ritual da conquista.
  2. No começo tudo é maravilhoso, depois vem as cobranças.
  3. A maioria chega pressionando pra namorar.
  4. O ciúme pega.
  5. Há muita mulher vazia.
  6. Há muita mulher disponível, mas na ânsia, acaba ficando vulgar. Com essas não dá para levar um relacionamento adiante. Essas fazem a gente passar vergonha(sic).
  7. As mulheres não se esforçam para manter um relacionamento. As relações viraram descartáveis.

Não quero entrar num discurso moralista. Quero apenas refletir um pouquinho acerca do que isso fala de nós, mulheres. Onde a coisa pega?

Percebe-se que a maioria dos pontos tem em comum o problema da ansiedade.

  1. A mulher ansiosa não percebe que há coisas de meninos e meninas. Os homens têm prazer na conquista. Sentem-na como uma vitória após uma árdua batalha. Algumas mulheres chegam chegando, atropelam o ritmo e tiram o prazer masculino de ser o caçador… Por outro lado, desde que a mulher assumiu um papel mais ativo em tudo, pessoal do sexo masculino anda um pouco desacostumado com essa arte. A gata, ao tirar o prazer da conquista, perde ponto e perde o que nem começou…
  2. A mulher ansiosa não entende o ritmo das coisas. A coisa rolou legal e já fala em namoro, já quer marcar território, como que “tomar posse” do gato. Este fica calma lá! Na insegurança, pinta o ciúme, daí estamos a um passo da cobrança.
  3. Cobrança. Nossa Julieta deu os primeiros beijos, tudo foi divino e logo ela construiu um filme na sua cabeça: vão namorar, casar, ter lindos filhos e serem felizes para sempre! Está decidido. Porém, o nosso Romeu não fez aquilo que estava no script, e nossa Julieta começa a reclamar. Você não ligou! Você preferiu sair com seus amigos! Você está olhando para a mesa do lado! Você chegou tarde! Você esqueceu o que combinamos!

Não quero entrar no mérito das outras queixas, todas pertinentes, mas nenhuma críticas é exclusividade nossa. Tal como num espelho, vale para homens e mulheres dizer que as relações se tornaram efêmeras, que nos tornamos intolerantes e por qualquer bobagem terminamos os relacionamentos, bem como que as pessoas estão vazias…

Nem tudo está perdido, acredito no Amor (com maiúscula) e acredito que o Amor caminha junto com a liberdade. O Amor independe da reciprocidade: para amar não é preciso ser amado. O amor que sinto, eu sinto e pronto!  Certamente o amor anseia aquela sublime conexão de almas com o ser amado.  A gente sonha com aquele estado de ressonância que é encontrar o parceiro que nos entende pelo olhar, cujo toque nos faz vibrar, cuja palavra acalenta e sentir aquele estado de plenitude, quando nada mais importa, pois até o mundo poderia terminar naquele momento…

Há  uma confusão entre amor e desejo de posse por aí. O nosso ego quer o outro, contudo desejo de posse não é amor. Esse estado de ressonância e conexão com o outro só pode existir quando o amado é livre e livremente sentir esse amor por nós também. Não posso obrigar alguém a sentir algo por mim e, se eu sinto e o outro não sente, o melhor é deixá-lo partir. João amava Maria, que amava Pedro… como escreveu o poeta, é assim mesmo, até que um dia a gente, se de fato estiver buscando alguém legal, mas de carne e osso, encontra o amor e o nosso par.

Certamente cometi o pecado da caricatura e simplifiquei muita coisa, mas tanto gostei do olhar atento dos rapazes que não resisti a trocar figurinhas.

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias

Como é bom recomeçar!

Se a vida é uma experiência, se alguma coisa não deu certo, sempre é possível fazer diferente. Enquanto estamos neste barco sempre dá para mudar a rota quando percebemos estar entrando num mar que nao esteja para peixe. Tem gente que passa pela vida se enroscando em problemas e nao sai do labirinto. Para quem está na busca do conhecimento, a transformação longe de ser evitada, precisa ser buscada.

Na virada dos meus 40 anos, apostei numa renovação. Comecei a procurar o que me faria viver melhor, que aspectos deveria cuidar, quais precisavam atenção. E passo a passo fui fazendo uma virada. Estou nesse percurso, mas alegre e satisfeita por estar no caminho. Se não for aos 40, vai ser quando? Tudo bem, pode ser aos 50 ou 60, cada qual no seu ritmo.

Nessa procura, recuperei a minha história, o que havia feito na juventude a na vida adulta. Me surpreendi com o que vi. Sempre fui super certinha, bastante solitária, entretida com os livros, programas? Só culturais… Jovem queria ter autonomia, me virar. Sonhava em viver sozinha e viajar. Estudar sempre foi fácil e para alguém acostumada com os livros e com muitas questões para a vida, cursar filosofia pareceu uma resposta para as angústias existenciais. Na filosofia, vi pensamentos muito interessantes, mas era um saber olimpiano para um grupo que se considerava olimpiano. Meus colegas eram do tipo intelectuais, qualquer balada era regada a cigarro, bebida e papo cabeça. Éramos cabeças pensantes, para nós, só havia o mundo das ideias.

E a vida sentimental? Bem, sempre complicada. Casamento? Nem pensar! Um homem poderia atrapalhar a autonomia conquistada. Certamente eu queria o amor, mas como “mulher moderna”, nem sabia bem o que era isso. No plano amoroso foram tantas bolas fora ao longo dos anos… alguns candidatos foram descartados nas primeiras saídas: ah com esse não temos nada a ver! E os que eu gostava não queriam nada “sério” comigo. Aquela velha história, João que amava Maria, que amava José.

Depois de muitos desencontros, comecei a me perguntar, o que andaria errado? Lá no fundo do baú encontrei um grande medo de viver, o grande fantasma era medo de amar. Por que?  Medo da entrega, de não ser correspondido, medo de se perder no desejo do outro, medo de reproduzir as relações de nossos pais e avós.

Esse reconhecimento foi o início da transformação, porque ver e conversar com os nossos fantasmas ajuda. Permite tomar contato com alguma dor e assim poder curar uma ferida. Acolhendo a dor, ela deixa de reclamar e nós deixamos de andar por aí sofrendo. A vida começa a valer a pena ser vivida e por aí, um belo dia, descobrimos o amor…

Deixe um comentário

Arquivado em Trilhas

Sabedoria de uma professora Dagara, Sobunfu Somé

“Em um relacionamento existe uma tendência natural de os espíritos de ambas as pessoas se unirem. Quando 2 espíritos de ambas as pessoas conseguem, de fato, comungar profundamente, sem interferência da mente, as pessoas formam uma ligação muito forte, sincera e amorosa. Quando não levamos em conta o espírito, deixamos o ego tomar conta dos problemas de relacionamento ou simplesmente escondemos nossos problemas, para nos sentir bem. Como resultado, podemos achar que estamos controlando tanto a nós mesmos quantos os nossos relacionamentos, mas, na verdade, não estamos – como descobriremos quando as coisas começarem a desmoronar.” Sobunfu Somé caminha pelo mundo ensinando a sabedoria tradicional, tão mal tratada no ocidente. Em seu livro O espírito da Intimidade. Ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar, a autora nos traz um pouco de luz para nossa caminhada, por vezes tão difícil nas nossas cidades, cheias de concreto, stress e tarefas, onde o brilho das estrelas fica escondido pela claridade das lâmpadas e a beleza do por do sol, pela poluição. Ah, os Dagara, formam as comunidades tradicionais de Burkina Faso

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias

Do amor e seus desafios

Viver o amor é um dos grandes desafios de nossa existência. Um grande sonho, o êxtase de amar e ser amado sem limites, a complementação que fortalece a cada um. Sentir que 1+1 são muito mais do que 2. Tantas metáforas já foram criadas em verso e prosa, procurando reproduzir um lampejo deste sentimento. A maioria das pessoas passa a vida nesta procura e outros tantos fugindo deste encontro. Eis que o amor acontece, a vida ganha outro colorido e não faz mais sentido sem o parceiro. Começa a vida a dois, nova etapa tão desejada, e também o primeiro teste para a força do amor. Dormir e acordar juntos é um teste para o desejo de união. No início, muitas parcerias sucumbem porque os parceiros resistem a abandonar o seu “euzinho”, já conhecido, para entrar no desconhecido e compor a nova relação, o nós. O medo impede a nova aventura. Além disso, cada um sabe o que deseja, sente, quer, precisa, mas e com relação ao parceiro? A gente consegue olhá-lo com a mesma atenção? Esperamos que ele se dedique às nossas necessidades, queremos que ele renuncie às baladas de solteiro, saídas com amigos, ao futebol, a trabalhar até tarde, mas será que retribuímos na mesma medida? Tem gente que casa e separa em dois meses. Ao viver sob o mesmo teto, começa-se a aprender que o lar é do casal, portanto os dois devem gostar de tooodos os itens que estão na casa, da toalhinha do banheiro, à geladeira, sofás, luminárias etc. Isso dá trabalho! Aprende-se a negociar do pagamento das contas, a quem faz a janta. Percebe-se que não é inteligente brigar pelo que não vale a pena, as mulheres, por exemplo, abrimos mão do controle da TV. O amor e a vontade superam essas questões, a vontade move montanhas dizem… O desejo de viver em união na harmonia é a chave! As recompensas são irreproduzíveis. A vida a dois é muito gostosa… Muito bem, superadas essas fases, eis que de repente, inesperadamente, surgem outros dilemas, você abriria mão de alguma coisa que você gosta muito, central na sua vida em nome da união? Deixar de passar o Natal com a sua família, mudar de cidade, de país, deixar de frequentar a sua Igreja? Hoje, em meio a uma situação dessas, me vejo pensando no desafio da entrega. O amor incondicional é uma entrega, uma entrega sem medo, pois o medo envenena o amor. Uma entrega para a caminhada a dois, para assim viver, dia a dia, o grande amor.

Deixe um comentário

Arquivado em Ideias, Inspiradores, Papo de áquia