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Rumo à Estrela do Oriente

Contemplar a abóboda celeste, vendo uma infinidade de pontos a brilhar em um noite escura talvez seja observar um dos maiores mistérios da natureza. Luminosidades de diferentes tamanhos têm nos surpreendido desde a aurora dos tempos, todas as civilizações registram a presença dos belos e enigmáticos pontos no céu, não raro, ligando-os a feitos extraordinários.

Conta-se que há mais de dois mil anos, três reis deixaram seus reinos guiados pela convicção de que deveriam largar tudo e seguir a luz avistada no céu, abandonaram poder, honras e conforto. Outras leituras dizem que Gaspar, Melchior e Baltazar não eram reis e sim magos, ou seja, sacerdotes de outras religiões. Sozinhos cruzaram desertos, florestas e montanhas, seguem a Estrela do Oriente, que os conduz a um estábulo, onde encontram Maria,  José e Jesús recém-nascido.  Após apresentarem seus louvores e presentes, ouro, incenso e mirra, os reis magos fazem um longo retorno,  para evitar o encontro com o rei de Israel, Herodes, que desejava matar o Cristo. O temor ao recém-nascido leva-o a ordenar o assassinato todas as crianças com menos de dois anos.

Maria e José fogem com o filho para o Egito, onde viverão  escondidos por alguns anos. Não surpreende,  pois terras ao redor do Nilo abrigavam centros com uma tradição milenar de estudo dos mistérios da vida. Os antigos egípcios foram mestres na construção de templos e pirâmides, na confecção de cerveja, bem como na técnica de embalsamamento, cujos produtos podem ser vistos até hoje.

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Olharmos pouco para o céu, conquistamos os ares, mas deixamos de guiar-nos pelas estrelas, ficamos presos ao nosso metro quadrado, quando não ao nosso umbigo. Deixamos de encontrar estrelas cadentes, conversar com as constelações ou rumar pelas estradas no firmamento.

Nunca vi uma estrela cadente, mas já contemplei em diversas ocasioes a via láctea em uma noite escura, no sul do Chile,  longe das luzes da cidade, deliciando-me com a profusão de luzes que os antigos associaram a uma mancha de leite. Leite, alimento vital. Na mítica, as estrelas trazem o saber e, sempre, a esperança .

Levantar os olhos para o céu em busca daquela luz, que nos conduz ao desconhecido, prática tão antiga quanto o mundo e tão mágica quanto todo nascimento, eventos a se festejar tal como os sábios de outras eras.

Baílica Sant’Apollinare Nuovo, Ravenna, finalizada em 526 d.C.

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