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As surpresas de uma brincadeira de verão

Nestes dias de calor, me distraí observando alguns garotos em uma piscina em meio a uma sonora brincadeira. Os rapazes de diversas idades, alguns, quase adolescentes, outros ainda meninos, brincavam de “terrorista”. No faz-de-conta, um deles tornava-se o “terrorista” que precisava ser caçado pelo grupo, ao ser capturado, acabava lançado à água. Tratava-se de uma mistura contemporânea do antigo mocinho contra o bandido com filmes de piratas. Certamente, os gritos chegavam ao outro lado da rua:

– Pega! Tá fugindo! Canalha!

– Nãaaao!

Havia resistência, eles lutavam, era um tal de puxa pra lá e pra cá que cada terrorista-mirim caía na água todo esgarçado. Nisso um garoto magrinho, dos menores, recusou-se a continuar, o mais velho ficou de pé e falou:

– Você não pode sair! É contra as regras! Você tem que seguir como todo mundo!

-Não,  nãaaaaao quero mais brincar! -Respondeu o menor.

O mais velho insistia em tom alto e firme, no entanto, o garoto não cedeu, deitou na espreguiçadeira, fechando os olhos a tomar sol.

– Não!

Nem o discurso da regra, nem a autoridade da idade ou o temor da força -que não foi usada-haviam funcionado, restou ao colega dar de ombros, a brincadeira cessou, após alguns minutos todos juntos passaram a brincar de outra coisa.

Fiquei admirada com a capacidade do garoto dizer “não” e depois não se intimidar com a pressão do colega, correndo o risco, entre outros, de ficar de fora da turma. Capacidade que muitas pessoas de diversas idades não têm, enfrentam maus bocados e sofrem caladas. Dizer “não” é difícil, quem diz passa a ser “o” chato, algo que ninguém quer, exige discernimento e autoconfiança, pois requer perceber que algo não está nada legal, bem como ter força para aguentar o tranco.

O interessante é que colocar este limite comporta aprendizagens bacanas para todas as partes, para um que sua vontade pode ser respeitada pelos pares e, de quebra, vai construindo sua autoconfiança, para o outro, a conviver com o dissenso e a respeitar o outro. Assim, no conflito e superando-o aprendem todos. Aprendizagem importante em qualquer época da vida.

Gostei de ver essa garotada.

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Arquivado em Ideias, Papo de áquia