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Notas de uma viagem a um universo paralelo

Andei sumida durante meses, isto ocorreu por absoluta falta de tempo para a escrita, pois dediquei-me a uma das tarefas mais singulares da vida: cuidar de uma criança. Andei cuidando da minha bebê recém-chegada à família.

Depois de 25 anos dedicados à vida acadêmica, voltei o meu cotidiano ao mundo dos bebês, zelando pela comida, prestando atenção no sono, na respiração e, claro, limpando xixi e o cocô. Olhando aspectos básicos do corpo, como se sabe, mas que depois de dominados,  tornam-se “automáticos”. Depois que crescemos e entramos no mundo da cultura, esquecemo-nos dessa dimensão natureza da vida, só voltamos a ela se algo deixa de funcionar.

Passar meses descobrindo uma criatura frágil em um corpinho pequenino tornou-se uma experiência  muito mais bacana do que eu poderia jamais imaginar

Eu, muito ligada às letras, tinha medo de bebês, lembro que eu falava que queria um bebê que já nascesse falando. A possibilidade do baby chorar e eu não saber o que fazer era o meu pior pesadelo, como se a comunicação precisasse necessariamente da palavra. Apesar dos meus pedidos, minha menina, não chegou falando.

Há cocô, xixi, tudo isso, mas acompanhar uma criança te permite entrar em um universo paralelo, como disse minha amiga Carol, ao ingressar no seu mundo, ela te convida a percebê-lo como se fosse a primeira vez, a sua surpresa com a água que jorra na fonte, a admiração com os cachorros, borboletas, sapos e joaninhas. Sentir a gostosura do vento,  um sustinho com o mar. Também é o viver a vida no presente, pois a sede ou a fome existe agora, elas não entendem o depois, nem se ligam ainda ao que já foi.

Ela nos relembra que as experiências passam o corpo, a morada de nossa existência e que tudo na vida é um processo, não sem sobressaltos, o primeiro passo, ocorreu depois de várias quedas.  Pode dar trabalho, mas adulto que não terceiriza a função e se permite entrar neste universo paralelo ganha muito na viagem.

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A beleza dos 40

Hoje minha irmã, minha eterna companheira, celebra seu aniversário, completa 40 anos, e em homenagem a esta data importante decidi republicar um texto antigo, de 2010, que gosto bastante.

A vida começa aos 40

Um velho chavão. Quem está no vigor da juventude, longe dos 40, pensa que é uma grande bobagem. Muitos dos que estão nesse limiar proferem essa afirmação sem convicção. Já se sentem os efeitos da gravidade e dos radicais livres: rugas, flacidez e manchas. Essas malvadas não existiam, eis a oxidação dizem os especialistas. Um novo nome para um antigo fenômeno: o envelhecimento.

A idade parece uma doença contagiosa da qual ninguém quer falar. Se a idade chega, que não se vejam os seus efeitos. No nosso mundo, a exigência é ser jovem. Eternamente jovem, se possível. A beleza está do lado da juventude. Beleza significa ter uma pele lisinha, um corpo sarado, uma barriga tanquinho.

A indústria da beleza promete deter os efeitos do tempo: cremes antirugas, anticelulite, peelings, liftings, silicones, lipoaspiração. Existem ainda alternativas para os que querem soluções rápidas e radicais: cirurgias plásticas. Tudo para manter a aparência jovem.

O problema surge, pois não se engana o RG. Quando se está na casa dos 40, já ocorreu o inevitável e agora? o que fazer? A batalha travada é por não parecer, ter 40 com cara (e corpo) de 20, se possível.

Trata-se de um luta para se ajustar a um padrão estético, mas há uma dimensão que não é física. Aos 40, alguma coisa parece não se ajustar. O nosso espírito está jovem. A gente se sente jovem, a despeito dos cabelos brancos insistindo em aparecer…

Como assim? Parece uma brincadeira de mau gosto. Agora que os medos e bobeiras de adolescente já ficaram para trás, que a gente sabe e pode fazer o que deseja, que o salário está bom. Justamente quando há boas conquistas para se desfrutar: independência financeira e maturidade. Bem, não sempre, mas vamos caminhando para isso. O mundo nos coloca que já somos senhoras e senhores, tiazinhas e tiozinhos… e que o movimento não é mais ladeira acima. Atônitos, percebemos que para o mundo já passamos do ponto, “já não temos mais idade”. Não temos idade para vestir mini-saia, para namorar, para começar de novo, enfim a lista de nãos é enorme. O duro é que muita gente se convence disso, entra em pânico ou em depressão.

Ouvimos os nãos na infância e na juventude, o não porque se é mulher, o não porque há responsabilidades. Os anos se passam e a gente passa por eles procurando responder às expectativas do mundo. Ser bela, inteligente e profissional, ter um bom emprego, um namorado, casar, ser mãe, ter belos filhos.

Aos 40 pode ser o momento da virada, da liberdade, da liberação dessas obrigações. Aos 40, a gente já não precisa mais correr atrás da aceitação. Já sabemos que quem gosta da gente, vai continuar gostando.

As amarras dão espaço a um novo o imperativo: de viver melhor.

O tempo passa, é verdade, mas a gente não precisa sofrer com isso. A gente pode aproveitar o tempo que nos resta. Trata-se de escolher é como vai se viver os próximos 40 anos. Com mais prazer, mais alegria, mais paixão, mais amor, mais saúde?
Menos a vontade dos outros, menos sofrimento, menos angústia?

Menos dever, mais querer?

O primeiro dia dos nossos próximos anos começa hoje! E a nossa escolha pode ser agora!

clau e vero

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Frida Calor e Frio

frida museu

Nestes dias fui assistir Frida calor e frio com a companhia Estelar de Teatro, no espaço Viga, em Pinheiros. Sempre é fascinante reviver a história desta pintora mexicana marcada pela poliomielite na infância e depois, aos 18 anos, por um grave acidente que destruiu o ônibus em que a jovem voltava da escola. Na fatalidade, sua coluna foi fraturada em três partes, a perna direita, em onze e um ferro entrou pelo quadril esquerdo para sair pela pelve, ela costumava dizer que esta havia sido a forma brutal em que havia perdido sua virgindade. Passou por mil e um tratamentos da ciência médica da época, em meio à dor, pede tela e pincéis para passar o tempo.

Esta mulher encantou o muralista Diego Rivera que veio a se tornar seu marido, em 1929, conta-se que formavam um casal e tanto, numa relação de amor e ódio conhecida por toda a capital; seus saraus e festas reuniam a intelectualidade do país e, por vezes, até do mundo em visita ao México em seus dias revolucionários, como catalão Pablo Picasso, o francês André Breton e o chileno Pablo Neruda. No final da década de 1930, Diego e Frida hospedaram Trotsky exilado no país, por recebê-lo foram alvo de constantes perseguições policiais, mas o evento mais ruidoso foi o caso entre o russo a pintora.

A deliciosa peça nos leva a este universo desta mulher intensa que não fez da fatalidade um destino, embora a dor tenha sido uma companheira, jamais conseguiu vencê-la. Sua arte tornou-se sua vida e sua vida ficou registrada em sua arte.

“A arte é uma das múltiplas possibilidades do real” nos disseram. Que sorte a nossa termos a arte!

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Uma história de um goleiro perna de pau

Nestes dias em que tudo gira em torno ao futebol, lembrei-me uma história familiar. A família de papai pertence a Corinto, um  pequeno vilarejo encravado nas montanhas, em uma tradicional região vinícola, Talca. Embora pequeno, Corinto possuía um time de futebol, estamos falando da década de 1940. Aos domingos, principalmente no verão, o time saía em excursão para jogar em outros povoados, meu avó e toda a garotada caminhavam alguns quilômetros rumo a Pencahue, La Aguada ou outro vilarejo da região.

O campinho permanece onde sempre, logo na entrada, depois da Virgem e do cemitério, no vale que se destaca em meio a aridez da região,   um dia ao chegar,  meu pai tirando as lembranças do fundo do baú falou:

-Aqui jogava seu pai quando menino.

Eu que jamais soubera  dessa faceta deste engenheiro, mais conhecido pelo seu gosto das matemáticas, fiquei surpresa:

-Pai, você hein, escondendo o ouro,  nunca contou nada! Ironizei.

– O bom de bola era meu irmão Miguel,  eu estava mais para perna de pau, só jogava,  porque teu avó era o treinador e ele gostava de sair com os dois filhos, então,  ele me colocou no gol.

Um dia, tio Miguel, o irmão mais velho,   contou-nos sua versão, papai completava o time, mas  era sempre uma incógnita, “havia que rogar-lhe que jogasse, pois ele estava sempre em meio a seus livros.”

Alfredo, certamente não ficou nos anais do futebol, mas saiu de Corinto. Papai lembrava que seu grande apoiador fora seu próprio pai que logo cedo o encaminhou a morar com parentes em outras cidades,  para estudar, pois não havia  nenhum recurso financeiro para custeá-lo.

Passou no vestibular em Santiago, na Universidad técnica, hoje Universidad de Santiago, um centro de estudos público, no primeiro ano, ele estudou depois conquistando bolsas, sei que teve de moradia e alimentação.

Ele dizia que muito cedo se fixou uma meta, obter um diploma, com isso em mente, pouco ligou para bailes ou futebol. Gosto dessa história, me lembra que as vitórias são produto de um grande esforço e muita determinação.

 

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Um presente de Natal

Botticelli, Natividade Mística, de 1502

O que significa o Natal para você? Papai Noel? Presentes? Um encontro familiar? Por estes dias, há uma agitação geral, o ano acabando e tudo fica em função dos eventos de fim de ano. Pensando em agradar, as pessoas capricham nos presentes, na decoração, no peru, mas o homenageado da data fica um pouco para escanteio.

Muito mistério cerca o nascimento de Jesus, algumas religiões não o colocam como o filho de Deus, mas como um profeta. O relevante para mim é que, há 2 mil anos, em uma época marcada pela guerra e pelo sofrimento, a sua mensagem  trouxe esperança, ao falar de um mundo novo para gente simples, como pastores e pescadores.

Conta-se que José rumava com Maria grávida a Belém, pois, naqueles dias, Roma estava realizando um censo de sua população e todas as pessoas do Império precisavam respondê-lo no lugar de nascimento. José era um filho da casa de Davi, o grande rei que governou Israel por volta do século 1000 a.C e uma antiga profecia vaticinava o nascimento de um novo rei.

Belém, situada a 10 quilômetros de Jerusalém, era um pequeno entreposto comercial. Ali Maria dará à luz e um grande clarão estelar anuncia o grande nascimento. A estrela será vista por três reis que saem a sua procura.

Israel estava sob o governo de Herodes, que reinava com o apoio de Roma, este, com medo de perder seu trono, manda matar todas as crianças com menos de dois anos. Para salvar o seu filho, José e Maria fogem para Egito.

Adoração dos Magos, de Gentile da Fabriano, 1423

Recuperei esta história, pois Jesus coloca novas pautas para a espiritualidade, ao apontar que a relação com o divino passa, necessariamente, pelas relações entre os homens. Em um mundo em que as ofensas se resolviam no dente por dente, Ele falava em oferecer a outra face. Com humildade encorajou homens e mulheres a transformar seu pensamento e suas ações, a transformação pelo caminho do arrependimento, do perdão, da compaixão e do amor.

Em 2 mil anos muitas tradições se juntaram, chegou a árvore, o papai Noel, os presentes, são todas bonitas, mas relembrar esta dimensão do Natal é um presente para cada um de nós, para o nosso espírito e para nossas vidas.

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Prometeu e Jesus, sacrifício e fé

Prometeu, aquele que vê e sabe como aponta o seu nome, entregou o fogo aos homens para tirá-los da sua condição animal. Fez o que achava correto, ciente do castigo. Prometeu será acorrentado no alto de um penhasco, tendo o fígado devorado todos os dias por uma águia, o orgão se regenera à noite para novamente ser devorado no dia seguinte, durante 30 mil anos.

O fígado não é um órgão menor, representa o âmago de cada pessoa, a expressão “doeu o fígado” remete a esta dor visceral, trata-se do mais importante processador do metabolismo humano, representa o centro da vida. A águia atinge o núcleo central, ou seja, as profundezas da alma, a essência das emoções, sentimentos e valores. Em Prometeu estes aspectos vão se transformar dia após dia, na solidão e na escuridão do penhasco.

Milênios se passam, Zeus reconhece então a transformação de Prometeu e sua dor chegou ao fim. Neste percurso, ele precisou se submeter, voluntariamente, ao poder do senhor do Olimpo e usar o anel feito de metal das correntes para se lembrar por toda a eternidade que seu propósito maior era servi-lo. Ao se submeter voluntariamente à vontade do alto, Prometeu conquista a imortalidade, ou seja, uma nova vida pode emergir.

Neste momento, o nosso calendário celebra a Paixão de Cristo, percebe-se um paralelo entre o sacrifício do Filho de Deus e de Prometeu. Ambos deram suas vidas pela humanidade.

O Filho de Deus suportou a traição, o escárnio, o abandono, a tortura. Tanta era sua dor que nos instantes finais, Ele exclama, “Pai, por que me abandonastes!” para depois dizer: “seja feita a Tua vontade”. A morte do filho de Deus representa seu amor e compaixão pelos homens, inaugurando e uma nova figuração de Deus agora visto como amoroso, piedoso e justo.

Santuario Madonna della Corona, Verona, Itália

Prometeu antevia sua liberação após 30 mil anos, mas durante o seu sofrimento precisa acreditar, ou seja, ter fé. Jesus passa por 40 dias de tentação na solidão do deserto e depois enfrentou sua via Cruxis. No final da jornada Prometeu conquista a imortalidade e Jesus ressuscita e se une ao pai.

O mito traz também, o tema do sofrimento, como lidar com aquelas agruras que o destino coloca em nosso caminho? A psicologia nos dá uma pista: “O sofrimento é insuportável enquanto se mantiver alheio à própria identidade, como um corpo estranho. A dor torna-se suportável quando pode ser elaborada…” (Alvarenga, 2011).

Essa é a chave, na vida não estamos a salvo das dores, mas podemos entender a sua causa, dar-lhes algum significado e transmutá-las, como a corrente que se tornou um anel, apenas uma lembrança do que já passou.

Fonte: algumas das ideias aqui trabalhadas  provêm do artigo de Maria Zelia de Alvarenga, “O encontro de Prometeu, Héracles e Quiron” in Junguiana, Vol 29, nº1/2011.

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Sobrevivência e transformação

Nestes dias, li a respeito de Brigid, a deusa do fogo que se tornou uma santa cristã, cujo culto remonta aos celtas irlandeses. Diz a lenda que ela era filha de um druida, mas converteu-se ao cristianismo, não apenas isso, fez a promessa de tornar-se freira. Seu pai, nada convencido da sua conversão, queria arranjar-lhe um bom casamento. Conta a história que seu primeiro milagre foi deformar seus olhos e o rosto de tal forma a perder toda atração para qualquer candidato a marido. Saiu então em peregrinação junto a um grupo de freiras, buscando um lugar para construir seu convento. O lugar escolhido foi Kildare.

Sua celebração ocorre dia 2 de fevereiro, na celebração do Imbolc, no culto pagão que se transformou na festa das Candeias (velas) ou Candelária, na tradição cristã.

Esta historia me deixou um tanto chateada, pois se trata de uma deusa convertida e isto contraria nossa visão de heróis e heroínas: pessoas que podem até morrer pelos seus ideais. À primeira leitura não consegui perceber sua sabedoria, não percebi que o importante nela era a sua força de transformação.

Quando nos sentimos ameaçados ou oprimidos, temos a tendência a defender com unhas e dentes o que resta daquilo que na verdade já está morrendo… Quando estamos no fim de um relacionamento, quando nos sentimos numa situação massacrante (no trabalho ou na família), esperamos a restauração de uma ordem que nos proporcionava conforto. Brigid recomenda que nos submetamos ao que parece uma derrota a fim de darmos continuidade à nossa vida. Somente se sobrevive e vive, quando nós nos transformamos.

Brigid tornou-se a protetora dos que tem a sobrevivência –fisica, emocional, financeira ou espiritual- ameaçada. No ritual, cultivado por muitos séculos na Irlanda, quem pedia graças à Santa Brigid, lhe oferecia moedas. As moedas frisam a intenção de abrir mão do que for preciso para conseguir a mudança que queremos em nossa vida. Gostei dessa lembrança, pelo que a gente quer precisa pagar um preço, seja ele em dedicação, doação ou em dinheiro mesmo. Às vezes, no entanto, não queremos pagar o preço… mas esta é outra história.

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Armário, armário meu, o que dizes para mim?

Nestes dias entrei no estudo do meu armário. Se o nosso armário reflete nosso ser estou frita. Meu armário é um tanto bagunçado. Tive uma sensação de “quanta coisa! preciso de tudo isso?” Confesso que há algumas peças (poucas, mas há) que eu nem usei… estão lá a espera de um dia quem sabe… Fora as roupas “queridas” de outras eras que a gente não entra, mas ficamos esperando emagrecer para voltar a usar… Depois fui para os livros, comecei por aqueles cantos perdidos… havia tanto lixo! Textos e revistas datados, passados tantos anos, não serviam nem como referência. Tudo estacionado, ocupando um espaço.

Aproveitando a volta das férias e o começo de ano decidi liberar o velho para deixar entrar o novo, por isso comecei por olhar o armário. Há algum tempo percebi que se a gente não procura a transformação, ela encontra a gente na volta da esquina. Muitos devem se perguntar, por que mudar? Não está bem? Se formos sinceros, sabemos que sempre tem algum departamento que não vai bem, exigindo atenção, sejam os relacionamentos, o trabalho, o dinheiro, o coração ou a família. Às vezes, a gente não escuta os sinais, outras, a gente nem sabe por onde começar.

O armário é um começo, para sair do lugar é preciso dar o primeiro passo. Dizem que o armário nos mostra como somos, se caminhamos leves ou andamos pesados pela bagagem carregada. Limpar o armário é um exercício de desapego que permite deixar o passado para trás e nos estimula a termos confiança na vida, pois desprendermo-nos daquela calça querida nos leva a sentir que ela não nos fará falta, teremos outros amores no guarda-roupa e no coração.

Embora a gente sonhe com ganhar na loto, as coisas não caem do céu. A gente pode até pedir – um amor, um emprego, dinheiro, paz etc. – mas quem não faz a sua parte, não tem muita chance de ver seu pedido atendido.

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Sonhos de transformação

Nos últimos tempos venho sonhando que eu estava numa cama morrendo, mas resistia a morrer… Como leitora de Jung, sei que quando sonhamos com a morte, significa transformação. Comecei a ler um pouco de Jung, procurando entender os meus sonhos, por isso eles hoje não me assustam, em outros momentos certos temas me assustaram, mas agora sei que através dos sonhos o nosso inconsciente fala e nos dá pistas para nossa jornada, nos revela uma informação que precisamos conhecer trabalhar. Em outro sonho recente eu estava atravessando uma fronteira internacional com a minha mãe carregando 2 grandes malas, eu ficava preocupada com as bagagens encostando no chão sujo, como em algumas alfândegas, e no trampo de carregá-las, pois as malas só estorvavam… Malas simbolizam nossos pesos que nos impedem de caminhar. Fiquei me perguntando o que precisaria largar, mas resistia a tal e se estou num processo de transformação o que em eu ainda reluto em largar? Que padrão pelo costume ou por outros motivos ainda me acompanha?

A vida é transformação. Na natureza a mais visível, talvez seja o processo da lagarta se tornando borboleta. Agora ando trabalhando essa pergunta, o que deve morrer para renascer? O que deve ficar para eu seguir em frente? Estou nesta procura.

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Aprendizado e transformação

Num desses dias escrevi que aprender era uma questão de sentir (no post “mestre é quem um dia de repente aprende”. Houve controvérsias por isso retorno ao tema. Listo alguns tipos de aprendizados:

1. Regras à mesa, ler, escrever, sinais de trânsito, matemática, filosofia… Muito poderia ser acrescentado a esta lista. Sem dúvida este tipo requer ser ensinado, pois tem a ver com o manejo de códigos.

2. Crianças (e as pessoas) precisam aprender limites, elas necessitam saber até onde podem chegar na relação com o outro. Este já não é um aprendizado intelectual, mas de amadurecimento do sujeito. Neste a gente fica a vida toda.

3. Agora outros tipos de aprendizados pedem um sentir, por exemplo, quando tenho sentimento de que o que eu fiz não foi legal, quando percebo que uma fala minha magoa uma pessoa querida ou me faz perder o emprego, ou então que certas ações me deixam sozinho/a.

Eu trabalho com jovens -sou professora em uma tradicional Universidade particular- e vejo que poucos se preocupam em estudar para se preparar para o futuro, a maior parte fica de balada em balada e só quer a nota para passar na disciplina. Como professor, vc já viu esse filme, sabe que daqui a 10 anos, quando a pessoa estiver num emprego mal remunerado, sem perspectivas, terá um profundo arrependimento, mas não adianta falar “aproveite o seu tempo, ele não volta!”, se a pessoa não sentir que precisa fazê-lo, esqueça.

Só o sentir detona a chave que conduz a uma transformação. Outra parte da história é a determinação e a força de vontade. Determinação para sentar na cadeira e estudar um pouquinho todo dia e outras tantas coisas.

As pessoas sofrem pelas suas próprias escolhas e ações. Homens e mulheres que “apanham” nos relacionamentos e continuam por anos em relações insatisfatórias ou quando terminam, voltam a se enroscar com o mesmo tipo de pessoas. Uma amiga algum tempo atrás me disse “não sei porque, mas eu só saio com canalhas…” E não era a primeira vez, amigos dão conselhos, mas a pessoa não “aprende”. Quem já não falou frases do tipo: Você precisa estudar mais! Você precisa se valorizar! Você precisa largar a bebida! Você não pode deixar que te tratem mal! E por aí vai… Pais, professores, mulheres, homens, todo mundo adora dar conselho.

O aconselhado até sabe o que precisa ser feito, mas porque não acontece? Bem, existe toda uma explicação da psicologia que passa pelo inconsciente, nem vou entrar nela. O fato é que tomar consciência é uma parte da solução, a outra passa por um cansaço enorme com tropeçar na mesma pedra, só este permite buscar uma solução e um dia detonar a chave que conduz ao novo, a fazer as coisas de modo diferente.

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